Lorena GT - Evolução do carro

 


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          EVOLUÇÃO DO CARRO


A história do "Lorena GT" teve início em 1962 nos Estados Unidos, com a fabricação do modelo "Aztec" pela Fiberfab.

Em 1967, Frank Ferrer e seu irmão compraram modelos "Aztec" e os modificaram, criando o "Ferrer GT"

(veja "Ferrer GT")

Em 1968, o empresário João Silva, presidente do Clube de Regatas Vasco da Gama e proprietário da "Estructofibra", Rio de Janeiro, fabrica o primeiro "Lorena GT", usando como modelo uma carroceria do "Ferrer GT".

(veja "Lorena GT")

O primeiro  "Lorena GT" foi o utilizado pela "Equipe Colégio Arte e Instrução" para competição, à partir do início de 1968, competindo até 1971. Sua carroceria sofreu diversas modificações para a utilização da mecânica Porsche 2000, redução de peso, e adaptação para competições.

(veja "Carro da equipe Colégio Arte e Instrução")

Leon Lorena assume a fabricação seriada do carro em São Paulo, montando a empresa "Lorena Importação e Comércio Ltda."

(veja "Lorena GT")

 Os "Lorena GT" para venda ao público foram apresentados no final de 1968 e produzidos até o início de 1971.

Os carros produzidos para uso nas ruas apresentam várias diferenças entre si. Isto se deve à produção do carro em pequena escala, quase que artesanal, sendo difícil encontrar-se dois carros idênticos, além de diversos carros terem sido montados pelos próprios compradores, após serem adquiridas apenas as carrocerias.

No período entre 1977 e 1981 foram ainda montados, a partir das formas originais, 4 carros Lorena, mais uma carroceria, porém com o nome de "Mirage GT" (veja "Mirage GT"), e pelo menos um "Andorinha II".

      

      
Durante o período de fabricação do "Lorena GT", entre 1968 e 1971, três empresas fabricaram o "Lorena GT", e três grandes variações na carroceria podem ser identificadas:

      
- Carros produzidos pela "Lorena Importação e Comércio Ltda."
             1a geração - automóveis com a tampa do motor na traseira do carro

                                     (final de 1968 até Maio de 1969);

             2a geração - idênticos aos anteriores, porém com a tampa do motor na parte

                                     superior da traseira (Junho de 1969 até Novembro de 1969)

                                            - Os carros eram identificados por um brasão com fundo cromado, contendo a

                                              "Cruz de Lorena" em baixo relevo, em preto.


   -  Carros produzidos pela "Lorena Importação e Comércio Ltda."
               2a geração - carros com as mesmas características dds produzidos pela empresa

                                       anterior, apenas sem a identificação com o brazão

                                       (Novembro de 1969 até início de 1970)

              - A empresa adotou como logotipia um papagaio estilizado, com a cruz de Lorena no peito.

                                       Este logotipo nunca foi aplicado aos carros.


                               - Carros produzidos pela "Tambatajá Veículos Ltda."
                                          3a geração - carros com  tomada de ar na coluna traseira

                                                                  (início de 1970 até início de 1971).

                                          - Desconhece-se se a empresa possuía alguma logotipia.

      

    

1a Geração

Fabricante:  Lorena Importação e Comércio Ltda.

Característica da primeira geração: tampa do motor na parte traseira do carro.

Período de produção aproximado:   final de 1968 até Maio de 1969

Acredita-se que forma produzido de 5 à 7 carros desta geração. A tampa do motor na traseira, tornava extremamente difícil o acesso ao motor, principalmente aos carburadores. Aparentemente pelo menos dois carros foram produzidos com a tampa abrindo para baixo ou retirável. Nos carros com a tampa traseira abrindo para cima, você entrava por baixo apoiando ela nas costas (não tinha suporte para manter aberta... as costas da camisa "já eram"....), ou apoiava a tampa com um "pauzinho". Não esqueça que a altura não era superior à 70 centímetros do chão. Para regular os dois carburadores você praticamente "entrava" por trás do carro agachado, esticando os braços no escuro.....

1.2 - Carro dos folhetos de divulgação (veja "Publicidade")

     

 

           

              

   

Atenção para detalhes no carro que aparece nos folhetos de divulgação. Certamente um dos primeiros carros produzidos:

- não possui para-choques dianteiro nem traseiro;

- não apresenta as molduras dos faróis, apenas uma borda preta;

- o capo dianteiro apresenta apenas um trinco central (da tampa de combustível da Kombi);

- tampa do motor na traseira, mas aparentemente abrindo para baixo, ou sendo retirável. Observe o

  pequeno e único trinco no centro da tampa, na parte superior, utilizado na tampa de combustível da Kombi,

  e a ausência de dobradiças externas;

- sinaleiras traseiras de.....  De que será?????

- rodas são as originais da linha Volkswagen, de 15 polegadas.

 

1.2 - Carro na fábrica
    

 

                                                                                                                                        Fotos enviadas pelo "Dinho" Amaral

Também um dos primeiros carros fabricados
Observe também o carro ao fundo na foto à esquerda, com algumas características diferentes do em primeiro plano (frisos dos para-brisas largos, espelhos).

    
Detalhes exclusivos deste carro:
  - borracha do para-brisas com o friso cromado estreito (observe que o carro ao fundo já possui o friso largo,

    normal nos Lorena GT;
  - moldura dos acrílicos dos faróis sem o friso cromado, aparentemente apenas um  filete de borracha

    (pode ser que o friso ainda não tivesse sido colocado....);
  - tampa do motor na traseira, idêntica à do modelo acima (1.1);
  - dois trincos no capo dianteiro, da tampa de combustível da Kombi;

  - sinaleiras traseiras do Volkswagen 1300;

  - para-choques dianteiro;
  - sem os para-choques traseiros (talvez ainda não tivessem sido colocados....);
  - sem os brasões na frente do carro, traseira, e nas calotas;

  - rodas da marca "Rodabrás", cinco furos, com cubo central e "calotinha".    

    (Detalhes das peças de outros carros utilizadas no Lorena GT)


1.3 - Carro do teste da revista "Auto Esporte" No 55, Maio/1969 (veja reportagem)

        Carro apresentado no VI Salão do Automóvel, de Novembro/1968

       

 

     

   

    

Detalhes apresentados nos carros de "1a geração"

Frente:

  - faróis retangulares (linha Ford 1968-1969) com cobertura de acrílico;
  - trincos externos e internos do Volkswagen sedan;

  - rodas da marca "Rodabrás", cinco furos, com cubo central e "calotinha";

- borracha do para-brisas e vidro traseiro com o friso cromado largo, em metal;
- moldura dos acrílicos dos faróis cromadas;

- dois trincos externos do capo dianteiro (da tampa de combustível da Kombi);

- brazão grande no meio da parte dianteira (entre o capo e a extremidade do carro);

- "calotinhas" das rodas com o brazão "Lorena" pequeno;

- dobradiças do capo dianteiro grandes (do Willys Interlagos);

- para-choques dianteiro acompanhando o vinco da dianteira (de frisos utilizados nos ônibus Mercedes-Benz);

- pisca-pisca dianteiro "retangular", nas laterais dos para-lamas dianteiros;

 

Traseira:

- tampa do motor na traseira, abrindo para cima com dois trincos externos na parte inferior

  (da tampa de combustível da Kombi);

- dobradiças do capo traseiro pequenas (do Renault Dauphini/Gordini - Willys);
- sinaleiras traseiras de ______ (comenta-se serem de um caminhão americano.... alguma ajuda????);
- para-choques traseiros nas laterais (de frisos utilizados nos ônibus Mercedes-Benz)
- brazão grande no meio da parte superior da cobertura do motor;

- trincos externos do Volkswagen Sedan;

- fixação dos painéis internos das portas com parafusos e arruelas aparentes.

    
 

                                                                                                  No carro da foto acima o console e "pomo" da alavanca de

Interior:                                                                                   cambio não são os originais (nem o chaveiro....)

- trincos internos do Volkswagen Sedan, ou esportivos (furos redondos);

- chave de ignição na parte esquerda superior do painel;

- velocímetro e conta-giros centrados no painel, com o marcador de gasolina à esquerda, e á direita os

  marcadores de pressão do óleo e amperímetro (os últimos modelos desta geração apresentavam o

  marcador de combustível entre o conta-giros e o velocímetro);

- interruptores na parte inferior do painel, abaixo dos instrumentos (do Willys Itamarati);

- soleiras das portas em alumínio, com desenho em pequenos hexágonos "achatados"

  (mesmo padrão das soleiras dos Puma VW 1969);

- direção em cálice com três raios, cada raio com três furos redondos, diâmetro de 330 mm
  (provavelmente marca "Fittipaldi", modelo "Tarumã");

- botão de buzina com o brazão "Lorena" pequeno em metal;

- alavanca do pisca-pisca cortada, na posição central superior.

- encosto dos bancos fixados diretamente no assoalho, com regulagem em três posições;

- encosto do banco do passageiro sem regulagem;

- assentos compostos apenas por almofadas soltas, diretamente sobre o piso do carro.

       

Motor:

- cilindrada 1.600 (a partir do motor 1.300, cabeçote de entradas simples);
- carburação dupla da marca Kadron (Solex 32);
- ventoinha do Fusca 1300, "cortada" na parte superior;

- chassi e mecânica do Volkswagen Sedan 1300;

- rodas "Rodabrás".

 

  (veja reportagem "Auto Esporte" Nº 55)

  (Detalhes das peças de outros carros utilizadas no Lorena GT)

 

        

2a Geração

Fabricantes:  Lorena Importação e Comércio Ltda.

                    e   Protótipos Lorena Carrocerias Especiais Ltda.

Característica da segunda geração: tampa do motor na parte superior da traseira do carro,

                                                               sem as tomadas de ar nas colunas traseiras.

Período de produção aproximado: Junho de 1969 até Novembro de 1969

2.1. - Carro do teste da revista "Auto Esporte" No 57, Julho/1969 (veja reportagem)

    

  

   

   

   

           

Detalhes apresentados nos carros da "2a geração":

Frente

   - faróis retangulares (linha Ford 1968-1969) com cobertura de acrílico;
   - trincos externos e internos do Volkswagen sedan;

   - rodas da marca "Rodabrás", cinco furos, com cubo central e "calotinha";

   - borracha do para-brisas e vidro traseiro com o friso cromado largo, em metal;
   - moldura dos acrílicos dos faróis cromadas;

- brazão grande no meio da parte dianteira (entre o capo e a extremidade do carro);

- "calotinhas" das rodas com o brazão "Lorena" pequeno;

- dobradiças do capo dianteiro grandes (do Willys Interlagos);

- para-choques dianteiro acompanhando o vinco da dianteira (de frisos utilizados nos ônibus Mercedes-Benz);

 

Alterações em relação à primeira geração

- fechadura do capo dianteiro com comando interno

- pisca-pisca dianteiro redondo, nas laterais dos para-lamas dianteiros;

- pequenos brazões "Lorena" nas laterais, entre o para-lamas dianteiro e a porta, com o escrito "Lorena" logo acima.

 

Traseira:

- tampa do motor na parte superior da traseira, com trinco interno;

- dobradiças do capo traseiro pequenas (do Renault Gordini - Willys);

- sinaleiras traseiras de ______ (comenta-se serem de um caminhão americano.... alguma ajuda????);
- para-choques traseiros em toda a traseira (de frisos utilizados nos ônibus Mercedes-Benz);

 

Alterações em relação à primeira geração

- tampa do motor na parte superior da traseira, abrindo para frente, com trinco interno;
- para-choques traseiros em toda a traseira (de frisos utilizados nos ônibus Mercedes-Benz);

- sem brazão na parte traseira.


Interior:

- trincos internos esportivos (furos redondos);

- chave de ignição na coluna de direção (sedan Volkswagen);

- velocímetro e conta-giros centrados no painel, com o marcador de gasolina entre o conta-giros e o velocímetro;

- interruptores em um pequeno console entre o freio de estacionamento e a alavanca de marchas;;

- soleiras das portas em alumínio, com desenho em pequenos hexágonos "achatados"

  (mesmo padrão das soleiras dos Puma VW 1969);

- direção em cálice com três raios, cada raio com três furos redondos, diâmetro de 330 mm
  (provavelmente marca "Fittipaldi", modelo "Tarumã");

- alavanca do pisca-pisca cortada, na posição central superior;

- encosto dos bancos fixados diretamente no assoalho, com regulagem em três posições;

- encosto do banco do passageiro sem regulagem;

- assentos compostos apenas por almofadas soltas, diretamente sobre o piso do carro.

 

Alterações em relação à primeira geração

- botão de buzina com o a "Cruz de Lorena" estampada;

 

Motor:
- cilindrada 1.600 (a partir do motor 1.300, cabeçote de entradas simples);

  opção de motor com preparação especial;

- carburação dupla Kadron (Solex 32);

- ventoinha do Fusca 1300, "cortada" na parte superior;

- chassi e mecânica do Volkswagen Sedan 1300;

- rodas "Rodabrás".

 

(veja reportagem "Auto Esporte" Nº 57)

(Detalhes das peças de outros carros utilizadas no Lorena GT)

 

          

3a Geração

Fabricantes:  Tambatajá Veículos Ltda.

Característica da terceira geração: tomada de ar na coluna traseira,

                                                             juntando o teto ao para-lamas traseiro.

Período de produção aproximado: Início de 1970 á início de 1971

  (Carro da foto com rodas não originais e sem frisos nos vidros)

 

Detalhes apresentados nos carros da "3a geração":

  - tomadas de ar nas colunas traseiras, juntando o teto ao para-lamas traseiro;

  - demais características todas iguais aos carros de segunda geração, com variação nas lanternas traseiras;
  - rodas: vários carros saíram de fábrica com as rodas da marca "Scorro" ("Bolo de Noiva").

  (Detalhes das peças de outros carros utilizadas no Lorena GT)


 

No VII Salão do Automóvel (Novembro/1970) foi exposto um carro, na cor laranja, com para-choques traseiro formado de  tubos, rodas da marca "Scorro".  O escapamento era duplo, com os dois canos passando através de orifícios na parte traseira da carroceria.

Este  deve  ser  um  dos últimos carros produzidos.

      

Diferenças podem ser encontradas nos veículos de uma mesma geração, tais como  sinaleiras traseiras, sistema de regulagem dos bancos, posição dos instrumentos no painel, console dos comandos e variações nos para-choques.

 

 (Foto: Revista "Fatos & Fotos" - Dezembro/1971)

 

 

        

"Mirage GT"

   

No período entre 1977 e 1981 foram montados, a partir das formas originais, 4 carros "Lorena", e produzida mais uma carroceria, porém com o nome de "Mirage GT", pela "Indústria Comercio Plásticos Reforçados Mirage".

(Veja esta história na página "Mirage GT")

 

 

        

"Andorinha II"

 

Este carro foi construído em São Paulo a partir do Lorena GT, na década de 70, tendo sido produzidas apenas uma ou duas unidades.

As principais características que o diferenciam do Lorena são:

- formato das caixas dos faróis dianteiros;

- ausência do "rabo de pato" na traseira;

- portas sem o recorte no teto, e com contorno em fibra apenas na parte traseira do vidro.

 

 

 

        

"Villa GT" (não é Lorena / Mirage)

O "Villa GT" aqui aparece apenas para esclarecimentos sobre o mesmo, já que muitas vezes tem sido apontado como um "Lorena modificado". Não é. Trata-se de um carro com design próprio, com idéias próprias, e o Lorena GT serviu como ponto de partida, agregando-se idéias do designer e de outros carros, tendo identidade própria, sem nenhuma ligação com o Lorena.

O "Villa GT" foi projeto por Adison Villa tomando como base o Lorena GT, na verdade o Mirage verde (carro 3). Criou uma solução própria, buscando um carro barato, e este foi vendido tanto como carro completo como em kit. Apenas a carroceria e os componentes da época devem ser tomados como originais, já que a montagem dos detalhes era realizada pelo próprio cliente.

Posteriormente a fábrica foi vendida para Paulo Giordano que chegou a desenvolver um novo modelo, com desenho melhor e mais aperfeiçoado, mas a crise das pequenas fábricas, com a liberação das importações, encerrou a fabricação. Chegaram a ser fabricados mais de 100 exemplares, inclusive um com o teto targa.

Fotos do Villa GT

 

Perguntas Freqüentes e outros comentários

- Quantos "Lorena GT" foram fabricados

Existem comentários de que as formas do primeiro "Lorena", construído na Estructofibra no Rio de Janeiro, lá permaneceram depois que os carros passaram a ser fabricados em São Paulo. Desta forma pode-se acreditar que alguns carros "independentes" possam posteriormente ter sido construídos no Rio de Janeiro. Acredita-se que pelo menos dois ou três carros tenham sido construídos. 

Sabe-se que Leon Lorena comprou 20 carros Volkswagen Sedan 1.300 para a montagem dos carros, tendo sido todos os 20 montados. Fala-se que mais dois carros foram montados pela fábrica, ou seja, montados pela fábrica seriam 22 carros.

Sabe-se também que algumas carrocerias  avulsas  foram  vendidas  pela  Lorena  para  montagem  de  carros, principalmente de competição. Vários carros tem na sua documentação a identificação de "protótipo" ou "artesanal", e não "Lorena GT". 

Considerando-se o exposto acima,  é até possível que o número de 22 carros FABRICADOS possa  ser  verdadeiro,  e teriam sido montados mais uns 5 à 10 carros de forma independente durante o período de produção do Lorena GT, mais os dois ou três montados na "Estructofibra".

Além dos carros acima, ainda foram fabricados 5 (cinco) "Mirage GT", e pelo menos um "Andorinha II".

       

- Preço do "Lorena GT"

Quando do lançamento do "Lorena GT", a revista Auto Esporte 55, de maio de 1968, apresentava o preço de NCr$ 19.800,00 (dezenove mil e oitocentos Cruzeiros Novos). A revista Auto Esporte 57, julho de 1968 (dois meses depois), apresentava o preço de NCr$ 21.400,00 (vinte e um mil e quatrocentos Cruzeiros Novos).

Para efeitos de comparação, o carro brasileiro mais barato na época (julho/1968) era o "Volkswagen Sedan 1300" que custava NCr$ 10.954,00, e o mais caro o "Ford LTD Hidrámatico", que custava NCr$ 37.732,20.

O Puma Volkswagen tinha seu preço de tabela em NCr$ 22.310,00 (bastante próximo ao do "Lorena GT").

(link para tabela de preços dos carros brasileiros em junho/1968)

       

                

Depoimento de: Mozart Martins Filho

"Em fins de 68, eu trabalhava na concessionária VW Monumento, que ficava no bairro do Ipiranga em São Paulo, tinha uns 18 para 19 anos, e fazia teste de rua com os carros consertados pela oficina antes da entrega ao cliente, além de outras coisas.

Quando apareceu um chileno, "seu León", com uma carroceria totalmente inovadora pra época, linha bem avançada, esportiva, todos na empresa ficaram maravilhados. Era o "LORENA GT" !!
Um dos sócios da revenda, era conhecido do chileno, que alugou um dos boxes da oficina,para montar aquele que seria o primeiro modelo de rua. O carro foi montado bem artesanal e as soluções eram testadas e adaptadas, usando peças de vários carros da época. León pagava o aluguel do espaço, além de um mecânico, um eletricista, tapeceiro e um funileiro que trabalhavam quase exclusivamente para o Lorena.

Cheguei a dar umas voltas com ele nas ruas do bairro para teste. O carro ficou totalmente pronto em uns 5 ou 6 meses.

Era branco, motor 1300 cc e adaptado depois para 1600. Quando começaram os pedidos, "seu León" alugou um grande galpão na zona norte de São Paulo, e montou uma equipe própria, para montagem em série (inclusive levando vários colegas meus da revenda).
Lembro que a Volkswagen não quis vender apenas o chassi e mecânica, barateando assim o custo, (como faziam com a Puma, também no bairro do Ipiranga), e León teve que comprar uns 20 fuscas "pé de boi" novos, para remover a carroceria e usar a parte mecânica.

Estas são minhas lembranças do Lorena GT. Carro muito bonito, bem baixinho, um barato !!"


"Infelizmente não tenho fotos ou qualquer documento relativo á época.

Só mais alguns detalhes: León costumava acompanhar de perto a montagem, tinha muita teoria para as adaptações, mas também ouvia os mecânicos que tinham mais prática.

Lembro que quando o carro já estava pronto, e ele já tinha alugado o galpão para dar seqüência a montagem em série, tentou com a ajuda da concessionária comprar direto da fábrica Volkswagen somente a parte mecânica (chassis/motor/cambio etc.) e a VW não concordou. Diziam na época que teve o dedo da Puma (seria seu concorrente é claro !) que trabalhou nos bastidores da VW para evitar o negócio.

Ele (coitado) foi obrigado a comprar os fuscas novos (básicos mais baratos chamados de "pé de boi") utilizando só a plataforma.

Depois que o Lorena foi pra sua casa própria que era do outro lado da cidade, as notícias foram sumindo até não saber mais nada. A concessionária VW Monumento ficava na rua Thabor, 491 pertinho do Monumento da Independência no Ipiranga (fechou as portas em 1996.)." (Mozart Martins Filho)