Lorena GT - Evolução do carro
 

 

EVOLUÇÃO DO CARRO


A história do "Lorena GT" teve início em 1962 nos Estados Unidos, com a fabricação do modelo "Aztec" pela Fiberfab.

Em 1967, Frank Ferrer e seu irmão compraram modelos "Aztec" e os modificaram, criando o "Ferrer GT"

Veja "Ferrer GT"

Em 1968, o empresário João Silva, presidente do Clube de Regatas Vasco da Gama e proprietário da "Estructofibra", Rio de Janeiro, fabrica o primeiro "Lorena GT", usando como modelo uma carroceria do "Ferrer GT".

Veja "Lorena GT"

O primeiro  "Lorena GT" foi o utilizado pela "Equipe Colégio Arte e Instrução" para competição, à partir do início de 1968, competindo até 1971. Sua carroceria sofreu diversas modificações para a utilização da mecânica Porsche 2000, redução de peso, e adaptações para competições. Vários outros carros foram utilizados em competições.

Veja "Carro da equipe Colégio Arte e Instrução"

Em 1968 ainda, Leon Lorena assume a fabricação seriada do carro em São Paulo, montando a empresa "Lorena Importação e Comércio Ltda."

Veja "Lorena GT"

 Os "Lorena GT" para venda ao público foram apresentados no final de 1968, com lançamento oficial no Salão do Automóvel em São Paulo, e produzidos até início de 1971.

Os carros produzidos para uso nas ruas apresentam várias diferenças entre si. Isto se deve à produção do carro em pequena escala, quase que artesanal, sendo difícil encontrar-se dois carros idênticos. Também diversos carros foram montados pelos próprios compradores, após serem adquiridas apenas as carrocerias, tanto para competição como para uso nas ruas.

No período entre 1977 e 1981 foram ainda montados, a partir das formas originais, 4 carros Lorena, mais uma carroceria, porém com o nome de "Mirage GT" (veja "Mirage GT"). Existiu ainda pelo menos um carro com o nome de "Andorinha II", baseado no "Lorena GT". Não se sabe se foi um carro construído a partir de moldes, ou uma adaptação em uma carroceria Lorena.


Durante o período de fabricação do "Lorena GT", entre 1968 e 1971, três empresas fabricaram o "Lorena GT", e três grandes variações na carroceria podem ser identificadas:

      
- Carros produzidos pela "Lorena Importação e Comércio Ltda."

                                                Rua Doutor Miranda Azevedo, Perdizes, 1234, São Paulo  (mapa)
             1a geração - automóveis com a tampa do motor na traseira do carro

                                     Produzidos do final de 1968 até Maio de 1969.

             2a geração - idênticos aos anteriores, porém com a tampa do motor na parte superior da traseira

                                    Produzidos de Junho de 1969 até Novembro de 1969.

             - Os carros eram identificados por um brasão com fundo cromado, contendo a

               "Cruz de Lorena" em baixo relevo, em preto.


-  Carros produzidos pela "Lorena Importação e Comércio Ltda."
            2a geração - carros com as mesmas características dos produzidos pela empresa anterior,

                                    porém sem nenhuma identificação na carroceria.

                                    Produzidos entre Novembro de 1969 e início de 1970.

           - A empresa possuía como logotipia um papagaio estilizado, com a cruz de Lorena no peito.

             Havia um brazão como ao lado, cuja decalco foi aplicada em alguns carros por seus proprietários.

                                                                    Os buggies produzidos pela empresa apresentavam o mesmo papagaio em um emblema retangular,

                                                                    com a palavra "Lorena" baixo (link para este emblema).                                    


                                                      - Carros produzidos pela "Tambatajá Veículos Ltda."

                                                                                                      Rua Doutor Miranda Azevedo, 1234, Perdizes, São Paulo  (mapa)
                                                                 3a geração - carros com  tomada de ar na coluna traseira

                                                                                         (início de 1970 até início de 1971).

                                                                 - Desconhece-se se a empresa possuía alguma logotipia.

      

    

Protótipo de competição

Fabricante:  Estructofibra - Estruturas de Espumas Plástica e Fibra de Vidro S/A

                             Rio de Janeiro

A importação do primeiro carro foi providenciada pelo empresário João Silva, presidente do Clube de Regatas Vasco da Gama, e proprietário da empresa "Estructofibra". Ele pretendia montá-la em chassis de Karmann-Ghia, com motor Volkswagen 1.600cc e vendê-la no mercado.

Uma carroceria foi oferecida gratuitamente para a instalação dos equipamentos Porsche e correr, fazendo divulgação da mesma. Esta carroceria foi montada e adaptada na sede da recém criada fábrica de carrocerias de fibra de vidro Estructofibra, em uma rua transversal à Av. Brasil, no Rio de Janeiro, tendo sido sua primeira corrida na "Primeira Etapa do Campeonato Carioca de Automobilismo" de 1968.

Não se conhece o destino da carroceria "Ferrer GT" original que serviu para a elaboração dos moldes. A Estructofibra oficialmente fabricou apenas uma carroceria, a utilizada pela "Equipe Colégio Arte e Instrução", mas existem comentários de que podem ter sido fabricadas até três carrocerias.

O Lorena-Porsche em fabricação na "Estructofibra", Rio de Janeiro                              (Fotos: acervo Sidney Cardoso)

 

 Apresentação do carro no autódromo                                 Alinhado para sua primeira largada

Mais informações sobre este carro em "Carro 0.01" e em "Provas"


1a Geração

Fabricante:  Lorena Importação e Comércio Ltda.

                             Rua Doutor Miranda Azevedo, 1234

                             Bairro Perdizes

                             São Paulo - SP

                             Telefones: 62-2904, 62-6197               (Veja página com localização da fábrica)

Característica da primeira geração: tampa do motor na parte traseira do carro.

Período de produção aproximado:   final de 1968 até Maio de 1969

Acredita-se que forma produzido de 5 à 7 carros desta geração. A tampa do motor na traseira, tornava extremamente difícil o acesso ao motor, principalmente aos carburadores. Aparentemente pelo menos dois carros foram produzidos com a tampa abrindo para baixo ou retirável. Nos carros com a tampa traseira abrindo para cima, você entrava por baixo apoiando ela nas costas (não tinha suporte para manter aberta... as costas da camisa "já eram"....), ou apoiava a tampa com um "pauzinho". Não esqueça que a altura não era superior à 70 centímetros do chão. Para regular os dois carburadores você praticamente "entrava" por trás do carro agachado, esticando os braços no escuro.....

1.2 - Carro dos folhetos de divulgação Veja "Publicidade"

     

 

           

              

   

Detalhes no carro que aparece nos folhetos de divulgação. Certamente um dos primeiros carros produzidos:

- não possui para-choques dianteiro nem traseiro;

- não apresenta as molduras dos faróis, apenas uma borda preta;

- o capo dianteiro apresenta apenas um trinco central (da tampa de combustível da Kombi);

- tampa do motor na traseira, mas aparentemente abrindo para baixo, ou sendo retirável.

  Observe o pequeno e único trinco no centro da tampa, na parte superior, utilizado na tampa de combustível da Kombi,

  e a ausência de dobradiças externas;

- sinaleiras traseiras de.....  De que será?????

- rodas são as originais da linha Volkswagen, de 15 polegadas.

 

1.2 - Carro na fábrica
    

 

                                                                                                                                        Fotos enviadas pelo "Dinho" Amaral

Também um dos primeiros carros fabricados
Observe também o carro ao fundo na foto à esquerda, com algumas características diferentes do em primeiro plano

(frisos dos para-brisas largos, espelhos).

    
Detalhes exclusivos deste carro:
  - borracha do para-brisas com o friso cromado estreito (observe que o carro ao fundo já possui o friso largo,

    normal nos Lorena GT;
  - moldura dos acrílicos dos faróis sem o friso cromado, aparentemente apenas um  filete de borracha

    (pode ser que o friso ainda não tivesse sido colocado....);
  - tampa do motor na traseira, idêntica à do modelo acima (1.1);
  - dois trincos no capo dianteiro, da tampa de combustível da Kombi, como utilizado nos carros da Geração 1;

  - sinaleiras traseiras do Volkswagen 1300;

  - para-choques dianteiro;
  - sem os para-choques traseiros (talvez ainda não tivessem sido colocados....);
  - sem os brasões na frente do carro, traseira, e nas calotas;

  - rodas já de série, da marca "Rodabrás", cinco furos, com cubo central e "calotinha".    

    Veja detalhes dos componentes utilizados no Lorena GT


1.3 - Carro do teste da revista "Auto Esporte" No 55, Maio/1969  Veja reportagem

        Carro apresentado no VI Salão do Automóvel, de Novembro/1968

       

 

     

   

    

Detalhes apresentados pelos carros de "1a geração"

Frente:

 - faróis retangulares (linha Ford 1968-1969) com cobertura de acrílico;
 - trincos externos e internos do Volkswagen sedan;

 - rodas da marca "Rodabrás", cinco furos, com cubo central e "calotinha";

- borracha do para-brisas e vidro traseiro com o friso cromado largo, em metal;
- moldura dos acrílicos dos faróis cromadas;

- dois trincos externos do capo dianteiro (da tampa de combustível da Kombi);

- brazão grande no meio da parte dianteira (entre o capo e a extremidade do carro);

- "calotinhas" das rodas com o brazão "Lorena" pequeno;

- dobradiças do capo dianteiro grandes (do Willys Interlagos);

- para-choques dianteiro acompanhando o vinco da dianteira (de frisos utilizados nos ônibus Mercedes-Benz);

- pisca-pisca dianteiro "retangular", nas laterais dos para-lamas dianteiros;

 

Traseira:

- tampa do motor na traseira, abrindo para cima com dois trincos externos na parte inferior

  (da tampa de combustível da Kombi);

- dobradiças do capo traseiro pequenas (do Renault Dauphini/Gordini - Willys);
- sinaleiras traseiras do Ford Fairline 53 (Crestline, com acabamento cromado)
- para-choques traseiros nas laterais (de frisos utilizados nos ônibus Mercedes-Benz)
- brazão grande no meio da parte superior da cobertura do motor;

- trincos externos do Volkswagen Sedan;

- fixação dos painéis internos das portas com parafusos e arruelas aparentes.

    
 

                                                                                                                                No carro da foto acima o console e "pomo" da alavanca de

                                                                                                  cambio não são os originais (nem o chaveiro....)

   Interior:  

- trincos internos do Volkswagen Sedan, ou esportivos (furos redondos);

- chave de ignição na parte esquerda superior do painel;

- velocímetro e conta-giros centrados no painel, com o marcador de gasolina à esquerda, e á direita os

  marcadores de pressão do óleo e amperímetro (os últimos modelos desta geração apresentavam o

  marcador de combustível entre o conta-giros e o velocímetro);

  Veja nas fotos acima o painel de dois exemplares da 1a geração. O da foto colorida apresenta os três

  instrumentos auxiliares (amperímetro, temperatura de óleo, e pressão do óleo, da esquerda para a direita)

  em linha, enquanto que na foto em preto e branco (Jornal do Brasil de 25/06/1969) os instrumentos estão

  arranjados em forma de triângulo, sendo o instrumento inferior de tamanho maior que os outros. Dificilmente

  dois carros forma montados iguais.

- interruptores na parte inferior do painel, abaixo dos instrumentos (do Willys Itamarati);

- soleiras das portas em alumínio, com desenho em pequenos hexágonos "achatados"

  (mesmo padrão das soleiras dos Puma VW 1969);

- direção em cálice com três raios, cada raio com três furos redondos, diâmetro de 330 mm
  (provavelmente marca "Fittipaldi", modelo "Tarumã");

- botão de buzina com o brazão "Lorena" pequeno em metal;

- alavanca do pisca-pisca cortada, na posição central superior.

- encosto dos bancos fixados diretamente no assoalho, com regulagem em três posições;

- encosto do banco do passageiro sem regulagem;

- assentos compostos apenas por almofadas soltas, diretamente sobre o piso do carro.

       

Motor:

- cilindrada 1.600 (a partir do motor 1.300, cabeçote de entradas simples);
- carburação dupla da marca Kadron (Solex 32);
- ventoinha do Fusca 1300, "cortada" na parte superior;

- chassi e mecânica do Volkswagen Sedan 1300;

- rodas "Rodabrás".

 

Veja reportagem "Auto Esporte" Nº 55

Veja detalhes dos componentes utilizados no Lorena GT

 

        

2a Geração

Fabricantes:  Lorena Importação e Comércio Ltda.

                                Rua Doutor Miranda Azevedo, 1234

                                Bairro Perdizes

                                São Paulo - SP

                                Telefones: 62-2904, 62-6197               (Veja página com localização da fábrica)

                    e   Protótipos Lorena Carrocerias Especiais Ltda.

                                Rua João Moura, 160

                                São Paulo - SP

                                Telefone: 81-3630

Característica da segunda geração: tampa do motor na parte superior da traseira do carro,

                                                               sem as tomadas de ar nas colunas traseiras.

Período de produção aproximado: Junho de 1969 até Novembro de 1969

2.1. - Carro do teste da revista "Auto Esporte" No 57, Julho/1969 (veja reportagem)

  

   

   

   

           

Detalhes apresentados pelos carros da "2a geração":

Frente

- faróis retangulares (linha Ford 1968-1969) com cobertura de acrílico;
- trincos externos e internos do Volkswagen sedan;

- rodas da marca "Rodabrás", cinco furos, com cubo central e "calotinha";

- borracha do para-brisas e vidro traseiro com o friso cromado largo, em metal;
- moldura dos acrílicos dos faróis cromadas;

- brazão grande no meio da parte dianteira (entre o capo e a extremidade do carro);

- "calotinhas" das rodas com o brazão "Lorena" pequeno;

- dobradiças do capo dianteiro grandes (do Willys Interlagos);

- para-choques dianteiro acompanhando o vinco da dianteira (de frisos utilizados nos ônibus Mercedes-Benz);

 

Alterações em relação à primeira geração

- fechadura do capo dianteiro com comando interno

- pisca-pisca dianteiro redondo, nas laterais dos para-lamas dianteiros;

- pequenos brazões "Lorena" nas laterais, entre o para-lamas dianteiro e a porta, com o escrito "Lorena" logo acima.

 

Traseira:

- tampa do motor na parte superior da traseira, com trinco interno;

- dobradiças do capo traseiro pequenas (do Renault Gordini - Willys);

- sinaleiras traseiras do Ford Fairline 53 (Crestline, com acabamento cromado)
- para-choques traseiros em toda a traseira (de frisos utilizados nos ônibus Mercedes-Benz);

 

Alterações em relação à primeira geração

- tampa do motor na parte superior da traseira, abrindo para frente, com trinco interno;
- para-choques traseiros em toda a traseira (de frisos utilizados nos ônibus Mercedes-Benz);

- sem brazão na parte traseira.


Interior:

- trincos internos esportivos (furos redondos);

- chave de ignição na coluna de direção (sedan Volkswagen);

- velocímetro e conta-giros centrados no painel, com o marcador de gasolina entre o conta-giros e o velocímetro;

- interruptores em um pequeno console entre o freio de estacionamento e a alavanca de marchas;;

- soleiras das portas em alumínio, com desenho em pequenos hexágonos "achatados"

  (mesmo padrão das soleiras dos Puma VW 1969);

- direção em cálice com três raios, cada raio com três furos redondos, diâmetro de 330 mm
  (provavelmente marca "Fittipaldi", modelo "Tarumã");

- alavanca do pisca-pisca cortada, na posição central superior;

- encosto dos bancos fixados diretamente no assoalho, com regulagem em três posições;

- encosto do banco do passageiro sem regulagem;

- assentos compostos apenas por almofadas soltas, diretamente sobre o piso do carro.

 

Alterações em relação à primeira geração

- botão de buzina com o a "Cruz de Lorena" estampada;

 

Motor:
- cilindrada 1.600 (a partir do motor 1.300, cabeçote de entradas simples);

  opção de motor com preparação especial;

- carburação dupla Kadron (Solex 32);

- ventoinha do Fusca 1300, "cortada" na parte superior;

- chassi e mecânica do Volkswagen Sedan 1300;

- rodas "Rodabrás".

 

Veja reportagem "Auto Esporte" Nº 57

Veja detalhes dos componentes utilizados no Lorena GT

 

          

3a Geração

Fabricantes:  Tambatajá Veículos Ltda.

Característica da terceira geração: tomada de ar na coluna traseira,

                                                             juntando o teto ao para-lamas traseiro.

Período de produção aproximado: Início de 1970 á início de 1971

                                (Carro da foto com rodas não originais e está sem frisos nos vidros)

 

Detalhes apresentados pelos carros da "3a geração":

- tomadas de ar nas colunas traseiras, juntando o teto ao para-lamas traseiro;

- demais características todas iguais aos carros de segunda geração, com variação nas lanternas traseiras;
- rodas: vários carros saíram de fábrica com as rodas da marca "Scorro" ("Bolo de Noiva").

Veja detalhes dos componentes utilizados no Lorena GT


 

No VII Salão do Automóvel (Novembro/1970) foi exposto um carro, na cor laranja, com para-choques traseiro formado de  tubos, rodas da marca "Scorro".  O escapamento era duplo, com os dois canos passando através de orifícios na parte traseira da carroceria.

Este  deve  ser  um  dos últimos carros produzidos.

      

 

Diferenças podem ser encontradas nos veículos de uma mesma geração, tais como  sinaleiras traseiras, sistema de regulagem dos bancos, posição dos instrumentos no painel, console dos comandos e variações nos para-choques.

 

 (Foto: Revista "Fatos & Fotos" - Dezembro/1971)

 

 

        

"Mirage GT"

   

No período entre 1977 e 1981 foram montados, a partir das formas originais, 4 carros "Lorena", e produzida mais uma carroceria, porém com o nome de "Mirage GT", pela "Indústria Comercio Plásticos Reforçados Mirage".

Veja esta história na página "Mirage GT"

 

 

        

"Andorinha II"

 

Este carro foi construído em São Paulo a partir do "Lorena GT", na década de 70, tendo sido produzidas apenas uma ou duas unidades.

As principais características que o diferenciam do Lorena são:

- formato das caixas dos faróis dianteiros;

- ausência do "rabo de pato" na traseira;

- portas sem o recorte no teto, e com contorno em fibra apenas na parte traseira do vidro.

 

Não sabemos se chegou a ser feito um molde para fabricação do carro, ou simplesmente foi modificada uma carroceria "Lorena".

 

        

"Villa GT" (não é Lorena / Mirage)

 

O "Villa GT" aqui aparece apenas para esclarecimentos sobre o mesmo, já que muitas vezes tem sido apontado como um "Lorena modificado". Não é. Trata-se de um carro com design próprio, com idéias próprias, e o Lorena GT serviu como ponto de partida, agregando-se idéias do designer e de outros carros, tendo identidade própria, sem nenhuma ligação com o Lorena.

O "Villa GT" foi projeto por Adison Villa tomando como base o Lorena GT, na verdade o Mirage verde (carro 3). Criou uma solução própria, buscando um carro barato, e este foi vendido tanto como carro completo como em kit. Apenas a carroceria e os componentes da época devem ser tomados como originais, já que a montagem dos detalhes era realizada pelo próprio cliente.

Posteriormente a fábrica foi vendida para Paulo Giordano que chegou a desenvolver um novo modelo, com desenho melhor e mais aperfeiçoado, mas a crise das pequenas fábricas, com a liberação das importações, encerrou a fabricação. Chegaram a ser fabricados mais de 100 exemplares, inclusive um com o teto targa.

Fotos do Villa GT

 

Perguntas Freqüentes e outros comentários

- Quantos "Lorena GT" foram fabricados

Existem comentários de que as formas do primeiro "Lorena", construído na Estructofibra no Rio de Janeiro, lá permaneceram depois que os carros passaram a ser fabricados em São Paulo. Desta forma pode-se acreditar que alguns carros "independentes" possam posteriormente ter sido construídos no Rio de Janeiro. Acredita-se que pelo menos dois ou três carros tenham sido construídos. 

Sabe-se que Leon Lorena comprou 20 carros Volkswagen Sedan 1.300 para a montagem dos carros, tendo sido todos os 20 montados. Fala-se que mais dois carros foram montados pela fábrica, ou seja, montados pela fábrica seriam 22 carros.

Sabe-se também que algumas carrocerias  avulsas  foram  vendidas  pela  Lorena  para  montagem  de  carros, principalmente de competição. Vários carros tem na sua documentação a identificação de "protótipo" ou "artesanal", e não "Lorena GT". 

Considerando-se o exposto acima,  é até possível que o número de 22 carros FABRICADOS possa  ser  verdadeiro,  e teriam sido montados mais uns 5 à 10 carros de forma independente durante o período de produção do Lorena GT, mais os dois ou três montados na "Estructofibra".

Além dos carros acima, ainda foram fabricados 5 (cinco) "Mirage GT". foi ainda fabricado pelo menos um "Andorinha II", mas não sabemos se esta é uma nova carroceria, ou foi utilizada uma carroceria "Lorena".

 

- Preço do "Lorena GT"

Quando do lançamento do "Lorena GT", a revista Auto Esporte 55, de maio de 1968, apresentava o preço de NCr$ 19.800,00 (dezenove mil e oitocentos Cruzeiros Novos). A revista Auto Esporte 57, julho de 1968 (dois meses depois), apresentava o preço de NCr$ 21.400,00 (vinte e um mil e quatrocentos Cruzeiros Novos).

Para efeitos de comparação, o carro brasileiro mais barato na época (julho/1968) era o "Volkswagen Sedan 1300" que custava NCr$ 10.954,00, e o mais caro o "Ford LTD Hidrámatico", que custava NCr$ 37.732,20.

O Puma Volkswagen tinha seu preço de tabela em NCr$ 22.310,00 (bastante próximo ao do "Lorena GT").

Tabela de preços dos carros brasileiros em junho/1968

       

 

Depoimento de: Mozart Martins Filho

"Em fins de 68, eu trabalhava na concessionária VW Monumento, que ficava no bairro do Ipiranga em São Paulo, tinha uns 18 para 19 anos, e fazia teste de rua com os carros consertados pela oficina antes da entrega ao cliente, além de outras coisas.

Quando apareceu um chileno, "seu León", com uma carroceria totalmente inovadora pra época, linha bem avançada, esportiva, todos na empresa ficaram maravilhados. Era o "LORENA GT" !!
Um dos sócios da revenda, era conhecido do chileno, que alugou um dos boxes da oficina,para montar aquele que seria o primeiro modelo de rua. O carro foi montado bem artesanal e as soluções eram testadas e adaptadas, usando peças de vários carros da época. León pagava o aluguel do espaço, além de um mecânico, um eletricista, tapeceiro e um funileiro que trabalhavam quase exclusivamente para o Lorena.

Cheguei a dar umas voltas com ele nas ruas do bairro para teste. O carro ficou totalmente pronto em uns 5 ou 6 meses.

Era branco, motor 1300 cc e adaptado depois para 1600. Quando começaram os pedidos, "seu León" alugou um grande galpão na zona norte de São Paulo, e montou uma equipe própria, para montagem em série (inclusive levando vários colegas meus da revenda).
Lembro que a Volkswagen não quis vender apenas o chassi e mecânica, barateando assim o custo, (como faziam com a Puma, também no bairro do Ipiranga), e León teve que comprar uns 20 fuscas "pé de boi" novos, para remover a carroceria e usar a parte mecânica.

Estas são minhas lembranças do Lorena GT. Carro muito bonito, bem baixinho, um barato !!"


"Infelizmente não tenho fotos ou qualquer documento relativo á época.

Só mais alguns detalhes: León costumava acompanhar de perto a montagem, tinha muita teoria para as adaptações, mas também ouvia os mecânicos que tinham mais prática.

Lembro que quando o carro já estava pronto, e ele já tinha alugado o galpão para dar seqüência a montagem em série, tentou com a ajuda da concessionária comprar direto da fábrica Volkswagen somente a parte mecânica (chassis/motor/cambio etc.) e a VW não concordou. Diziam na época que teve o dedo da Puma (seria seu concorrente é claro !) que trabalhou nos bastidores da VW para evitar o negócio.

Ele (coitado) foi obrigado a comprar os fuscas novos (básicos mais baratos chamados de "pé de boi") utilizando só a plataforma.

Depois que o Lorena foi pra sua casa própria que era do outro lado da cidade, as notícias foram sumindo até não saber mais nada. A concessionária VW Monumento ficava na rua Thabor, 491 pertinho do Monumento da Independência no Ipiranga (fechou as portas em 1996.)." (Mozart Martins Filho)

 

Depoimento de: Celso Cavallari

"Este foi um período agradadável de minha vida. Em 1969 eu tinha apenas 31 anos e me sentia um super-homem, indestrutível e imortal.

O Sr. Leon Lorena foi-me apresentado pelo Chico Landi que o trouxe até minha fábrica, Fibraplastic, na Rua Galvão Bueno, no bairro da Liberdade em São Paulo, para encomendar a moldagem das carrocerias. A minha empresa era a única que fazia tais serviços na época. Meus clientes de carrocerias completas foram, Malzoni, Dacon entre outros.

Nos primeiros contatos que tivemos, em abril de 68 se não me engano, ele me trouxe uma carroceria sem acabameto (gelcoat vermelho) que, dizia ele, fora importada dos EUA. Sobre tal carroceria fiz os moldes para as futuras peças que foram todas moldadas na Rua Galvão Bueno. Desconheço que outra empresa hovesse moldado este carro.

Como o Sr. Leon não tinha dinheiro para pagar o serviço, ele se associou com um grupo de pessoas sob a liderança de um certo Sr. Rubens Gugliometti. Comecei a fazer as carrocerias encomendadas. Enquanto isso o grupo citado alugou um imóvel na Rua Miranda de Azevedo, Pompéia, que era uma antiga fábrica de artefatos de fibrocimento da Casa Sano. Lá as carrocerias foram acabadas.

Fui convidado para gerenciar a montagem dos veículos e foram produzidos talvez uns doze deles. Como o projeto (original) era muito amador, o acabamento ficava comprometido. Estive nesta empresa durante três meses e saí quando encerraram as atividades. O Sr. Leon já não fazia parte da sociedade quando esta foi encerrada.

O tal do bug Gaiato (link para a página) foi criado e projetado por mim, e construído um veículo experimental em apenas 15 dias, para atender o pedido da diretoria, que queria um produto para oferecer ao Exército. Minha preocupação neste projeto era custo e forma-função sem nenhuma preocupação estética. Havia um outro protótipo em execução, com correções necessárias, que nunca foi as ruas, apesar de a revista Quatro Rodas ter divulgado a noticia e um esboço da carroceria.

A Lorena (não confundir com o Sr. León Lorena) comprou sim 20 Volkswagem (modelo pé de boi) para ter a mecânica onde montar os Lorenas GT. Destes vinte volks, dez foram vendidos ainda completos, pois a empresa estava em dificuldades. O "viejo" León era um tipo adorável e inesquecível, e apesar de todos os exageros eu, particularmente, me
entendia bem com ele. O fato é que ele foi posto fóra da sociedade devido alguns problemas e após sua saída, estabeleceu-se em uma sociedade com alguém que não conhecí e começou a moldar um bug copiado do Vagabond da Fiberfab (link para a página). Ele morava na Rua João de Moura e acho que o endereço citado como o da empresa "Protótipos Lorena e Carrocerias Especiais Ltda." era do seu apartamento.

O L2 (Lorena GT 2+2) cuja foto é a primeira do Jornal do Brasil de 25/6/69 (link para a reportagem), eu já não me lembrava mais, chegou ao ponto de ser moldado exatamente quando pedí a conta da Lorena, após o sr. Rubens, presidente da Lorena, me convidar para ser o novo presidente da mesma! Deu para entender? Me lembro de alguns sócios capitalistas como o Renato, o Reynaldo e o Carlos Alberto Bueno Neto que estavam descontentes (muito) com a gestão do Rubens. Eu que havia algum tempo já não era remunerado, também estava descontente resolví parar e cuidar da minha vida.

Soube que estavam negociando com outras pessoas a empresa mas não as conhecí. Após uns dois anos um certo Napoleão encontrou-se comigo na Avenida Vautier em SP para saber se eu queria completar o projeto do L2, que recusei, pois não tinha mais tempo para aventuras.

Finalmente, ví o León e família em 1974 (creio) que então era vizinho de um conhecido meu, o Billy. Ele (o León) parecia feliz e me contou que tinha uma fábrica de pias de fibra de vidro. Aparentava estar bem de vida, e apesar de suas dificuldades, foi uma das pessoas mais interessantes que conhecí.

Observação:
Na minha fábrica, Fibraplastic, nasceram os GT Malzoni, cujos moldes e quatro carrocerias foram vendidas para a Vemag, e os moldes e carrocerias dos KG Dacon, no periodo que vai de 1964 até 1969."

Celso Cavallari
(o texto acima foi editado a partir de vários e-mails trocados com o Celso)