-
O Alcoolismo e os Alcoólicos
-
O que é o alcoolismo?
-
Como posso saber se sou realmente um alcoólico?
-
Um alcoólico Poderá voltar a beber "normalmente"?
-
será que Um
membro de AA não pode beber nem uma Cerveja?
-
Consigo manter-me sóbrio durante bastante tempo entre
bebedeiras; como posso saber se preciso de AA?
-
os outros Dizem que não sou alcoólico, mas a minha maneira de beber parece
estar a piorar. será que Devo entrar para AA?
-
será que se pode alcançar a sobriedade só através da literatura AA?
-
Se eu entrar para AA, não ficará toda a gente a saber que sou alcoólico?
-
Se eu não beber, como poderei sair-me bem nos negócios, onde tenho que
fazer muitos contactos sociais?
-
Será que AA funciona para a pessoa que tenha realmente chegado
ao "fundo do poço"?
-
HAVERÁ ALCOÓLICOS que entram em AA JÁ SÓBRIOS?
-
Porque é que AA se interessa por bebedores-problema?
-
A Comunidade de AA
-
O que SÃO
OS Alcoólicos Anónimos?
-
SERÁ QUE
EXISTEM REGRAS EM AA?
-
QUANTO É QUE SE PAGA PARA SER MEMBRO DE AA?
-
QUEM É QUE DIRIGE O AA?
-
SERÁ
QUE AA É UMA COMUNIDADE RELIGIOSA?
-
SERÁ QUE AA É UM MOVIMENTO A FAVOR DA TEMPERANÇA?
-
HÁ MUITAS
MULHERES ALCOÓLICAS EM AA?
-
HÁ MUITOS JOVENS EM AA?
-
REUNIÕES DE GRUPO
-
COMO É
QUE ALGUÉM SE PODE TORNAR MEMBRO DE AA?
-
O QUE É UMA REUNIÃO ABERTA?
-
O QUE É UMA REUNIÃO FECHADA?
-
PODEREI LEVAR FAMILIARES OU AMIGOS A UMA REUNIÃO DE AA?
-
COM QUE FREQUÊNCIA DEVEM OS MEMBROS DE AA ASSISTIR A REUNIÕES?
-
OS MEMBROS DE AA TÊM DE ASSISTIR A REUNIÕES A VIDA INTEIRA?
-
COMO É QUE EU TEREI TEMPO PARA ASSISTIR A REUNIÕES DE AA,
TRABALHAR COM OUTROS ALCOÓLICOS E TER OUTRAS ACTIVIDADES EM AA?
-
PODERÃO OS RECÉM-CHEGADOS PERTENCER A GRUPOS AA FORA DA SUA ÁREA DE
RESIDÊNCIA?
-
SE EU ENTRAR EM AA NÃO IREI PERDER MUITOS AMIGOS E MUITAS
OPORTUNIDADES DE ME DIVERTIR?
-
O PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO
-
O QUE SÃO OS DOZE PASSOS?
-
O QUE SÃO AS “DOZE
TRADIÇÕES”?
-
O QUE SÃO RECAÍDAS?
-
O QUE É O PROGRAMA
DAS “24 HORAS”?
-
O QUE É O AA GRAPEVINE?
-
PORQUE SERÁ QUE AA PARECE NÃO FUNCIONAR PARA DETERMINADAS PESSOAS?
-
SERÁ
QUE AA ME IRÁ AJUDAR FINANCEIRAMENTE?
-
SERÁ QUE AA PODERÁ RESOLVER OS MEUS PROBLEMAS FAMILIARES?
-
SERÁ QUE AA MANTÉM HOSPITAIS OU CASAS DE REPOUSO PARA
ALCOÓLICOS?
-
SERÁ QUE AA PATROCINA ALGUMA ACTIVIDADE SOCIAL PARA OS
SEUS MEMBROS?
-
O QUE PENSA
A CLASSE MÉDICA DE AA?
-
O QUE É QUE AS AUTORIDADES RELIGIOSAS PENSAM DE AA?
-
QUEM
É RESPONSÁVEL PELA DIVULGAÇÃO DE AA?
-
UMA NOVA FORMA DE VIDA
O Alcoolismo e os Alcoólicos
Até há bem pouco tempo o alcoolismo era
considerado como um problema moral. Hoje, muitos consideram-no principalmente
como um problema de saúde. Para cada bebedor-problema, será sempre um assunto
muito pessoal. Os alcoólicos que procuram AA fazem frequentemente perguntas
relacionadas com a sua própria experiência, os seus próprios medos e a sua
própria esperança de encontrar uma vida melhor.
O que é o alcoolismo?
Há muitas ideias
diferentes acerca do que o alcoolismo é na realidade. A explicação que parece
fazer sentido para a maioria dos membros de AA é que o alcoolismo é uma doença,
uma doença progressiva que nunca pode ser curada mas que, tal como outras
doenças, pode ser detida. Indo um pouco mais longe, muitos membros de AA acham
que a doença é a combinação de uma alergia ao álcool com uma obsessão mental
pela bebida que, apesar das consequências, não pode ser vencida somente pela
força de vontade.
Antes de entrarem em contacto com
AA, muitos alcoólicos que não conseguem parar de beber consideram-se moralmente
fracos ou até mentalmente desequilibrados. Para AA os alcoólicos são pessoas
doentes que podem recuperar se seguirem um programa que é simples e que tem tido
sucesso com mais de um milhão e meio de homens e mulheres.
Depois de o alcoolismo se ter instalado, não existe nada de
moralmente errado com o facto de se estar doente. Nesta altura a força de
vontade não resulta porque o doente perdeu o poder de escolha sobre o álcool. O
importante é que ele encare de frente que é um doente e que aproveite a ajuda
ao seu dispor. Também tem de ter o desejo de ficar bem. A experiência mostra
que o programa de AA funcionará para todos os alcoólicos que forem sinceros no
seu esforço para parar de beber, mas geralmente não resultará para aqueles que
não estão absolutamente seguros de querer parar.
Como posso saber se sou realmente um
alcoólico?
Só você poderá tomar essa
decisão. Muitas pessoas que estão agora em AA tinham ouvido dizer que não eram
alcoólicos e que só precisavam de ter mais força de vontade, mudança de
ambiente, mais descanso ou mais distracções para resolverem o seu problema.
Estas mesmas pessoas acabaram por procurar AA porque sentiram, no seu íntimo,
que o álcool as tinha derrotado e estavam dispostas a tentar qualquer coisa que
as libertasse da compulsão pela bebida.
Alguns destes homens e mulheres
passaram por experiências terríveis com o álcool até conseguirem admitir que o
álcool não era para eles. Tornaram-se marginais, roubaram, mentiram, enganaram e
até mataram durante o tempo em que bebiam. Aproveitaram-se dos patrões e
maltrataram a família. Mostraram-se completamente irresponsáveis nas relações
com os outros. Dissiparam os seus bens materiais, mentais e espirituais.
Muitos outros, com histórias muito
menos trágicas, também procuraram AA. Nunca tinham sido presos nem
hospitalizados. A sua maneira de beber excessiva talvez não tivesse sido notado
pelos familiares e amigos mais próximos. Sabiam, porém, o suficiente sobre
alcoolismo como doença progressiva para se assustarem. Entraram para AA antes
de terem pago um preço muito elevado.
Em AA é costume dizer-se que não se pode ser um pouco alcoólico. Ou se é, ou
não se é. Só a própria pessoa pode dizer se o álcool se tornou para ela um
problema incontrolável. Consulte "Será que AA é
para Si"
Um alcoólico Poderá voltar a beber
"normalmente"?
tanto
quanto se sabe, quem se tenha tornado um alcoólico jamais deixará de
o ser. O simples facto de se abster do álcool durante meses ou mesmo anos
nunca deu a um alcoólico capacidade para voltar a beber normalmente ou em
sociedade. Uma vez ultrapassada a fronteira que separa o bebedor excessivo do
bebedor alcoólico irresponsável, parece não haver retrocesso. São poucos os
alcoólicos que bebem deliberadamente para se meterem em dificuldades, mas estas
parecem inevitáveis quando um alcoólico bebe. Depois de parar por algum tempo,
o alcoólico pode pensar que não lhe fará mal experimentar umas cervejas ou uns
copos de vinho. Isto pode levá-lo à ilusão de que pode evitar os problemas se
beber só às refeições, mas não demorará muito até que o alcoólico volte ao
velho padrão de bebedor excessivo, apesar de todos os seus esforços para se
manter nos limites de uma maneira de beber moderada e social.
A resposta a esta pergunta,
baseada na experiência de AA, é que quem é alcoólico jamais poderá controlar a
sua maneira de beber. Assim só restam duas hipóteses: permitir que a maneira de
beber se agrave progressivamente com todas as consequências prejudiciais que daí
resultam, ou parar completamente e desenvolver um novo padrão de vida sóbrio e
construtivo.
será que Um membro de AA não pode beber
nem uma Cerveja?
É óbvio que em
AA não há obrigações e ninguém controla os membros para saber se estão ou não a
beber. A resposta a esta questão é que se uma pessoa é alcoólica, não pode
arriscar-se a beber qualquer espécie de álcool. Álcool é sempre álcool, seja
num martini, num whisky com soda, numa taça de champanhe - ou numa cervejinha.
Para o alcoólico, um copo de álcool será sempre demais e vinte copos não
chegam.
Para assegurarem a sua sobriedade,
os alcoólicos têm simplesmente de se manter afastados do álcool,
independentemente da quantidade, mistura ou concentração que pensam poder
controlar.
É óbvio que poucas pessoas se
embebedam com duas ou três garrafas de cerveja. O alcoólico sabe-o tão bem como
qualquer outra pessoa. Mas os alcoólicos podem convencer-se de que vão
simplesmente beber duas ou três cervejas e ficar por aí. Por vezes podem até
seguir este plano durante alguns dias ou semanas. Podem acabar por decidir que
já que estão a beber, o melhor será beber "a valer". Assim, aumentam o seu
consumo de cerveja ou de vinho, ou passam para bebidas fortes. Uma vez mais,
voltam ao ponto de partida.
Consigo manter-me sóbrio durante
bastante tempo entre bebedeiras; como posso saber se preciso de AA?
A maioria dos membros de AA diria que é a maneira como se bebe, e não a
frequência com que se bebe que determina se se é ou não um alcoólico. No
meio dos seus períodos de bebida muitos bebedores-problema podem estar semanas,
meses e, às vezes, anos sem beber. Durante estes períodos de sobriedade poderão
nem sequer pensar no álcool. Sem esforço mental nem emocional são capazes de
escolher entre beber e não beber, e preferem não beber.
A dada altura, por razões
inexplicáveis ou mesmo sem qualquer razão, apanham uma grande bebedeira.
Esquecem o emprego, a família e outras responsabilidades cívicas e sociais. A
bebedeira poderá durar uma só noite ou prolongar-se por dias ou semanas. Quando
acaba, o bebedor fica geralmente fraco e cheio de remorsos, resolvido a não
permitir que o mesmo volte a acontecer. Mas acontece.
Esta maneira "periódica" de beber
é desconcertante, não só para aqueles que rodeiam o bebedor, como também para a
própria pessoa que bebe. Ele ou ela não consegue perceber como é possível
interessar-se tão pouco pelo álcool durante o período entre as bebedeiras e ter
tão pouco controle sobre ele quando começa a beber.
O bebedor periódico pode ou não
ser um alcoólico. Mas, se a sua maneira de beber se tornou incontrolável e se o
período entre as bebedeiras é cada vez mais curto, é provável que tenha chegado
o momento de enfrentar o problema. Se a pessoa está pronta a admitir que é
alcoólica, então foi dado o primeiro passo em direcção à sobriedade continuada
que milhares e milhares de AAs desfrutam.
os outros Dizem que não sou alcoólico,
mas a minha maneira de beber parece estar a piorar. será que Devo entrar para
AA?
Enquanto bebiam, a família, amigos e médicos de muitos membros de AA
asseguravam-lhes que não eram alcoólicos. O próprio alcoólico geralmente
complica o problema por não estar disposto a enfrentar a situação de forma
realista. Por não ser completamente honesto, o bebedor-problema dificilmente
pode ser ajudado por um médico. De facto, é até de admirar que tantos médicos
tenham conseguido penetrar nas mentiras do bebedor-problema e fazer um
diagnóstico correcto.
Nunca é demais sublinhar que a
decisão importante - será que sou um alcoólico? - tem que ser tomada pelo
bebedor. Só ele ou ela - e não o médico, a família ou os amigos - pode tomar
essa decisão. Mas uma vez tomada, metade da batalha pela sobriedade está
ganha. Se deixar que outros decidam por si, o alcoólico poderá estar a arrastar
desnecessariamente os perigos e a desgraça provocados pela sua maneira
descontrolada de beber.
será que se pode alcançar a sobriedade
só através da literatura AA?
Algumas pessoas
pararam de beber depois de lerem Alcoólicos Anónimos, o "Livro
Azul" de AA que define os princípios básicos do programa de recuperação. No
entanto, e sempre que possível, quase todos procuram imediatamente outros
alcoólicos para com eles partilharem a sua experiência e sobriedade.
O programa de AA funciona melhor
a nível individual para a pessoa que o reconhece e aceita como um programa que
envolve outras pessoas. Ao trabalharem com outros alcoólicos no grupo de AA,
parece que os bebedores-problema aprendem mais acerca da sua doença e de como
lidar com ela. Encontram-se rodeados por outros que compartilham a sua
experiência passada, os seus problemas actuais e a sua esperança. Deixam de ter
o sentimento de solidão que poderá ter sido um factor importante na sua
compulsão para beber.
Se eu entrar para AA, não ficará toda
a gente a saber que sou alcoólico?
O anonimato sempre foi, e é, a base do programa de AA. Depois de
terem estado em AA durante algum tempo, a maior parte dos membros não se
importa que se fique a saber que fazem parte de uma comunidade que os ajuda a
manterem-se sóbrios. Tradicionalmente, os AAs nunca revelam a sua ligação com
o movimento na imprensa, rádio ou em qualquer outro meio de comunicação social.
E nenhum membro de AA tem o direito de quebrar o anonimato de outro.
Isto significa que o recém-chegado
pode entrar para AA com a certeza de que nenhum dos seus novos amigos violará
confidências relacionadas com o seu problema de bebida. Os membros mais antigos
do grupo compreendem o sentimento do recém-chegado. Lembram-se dos seus
próprios medos quanto a serem publicamente identificados com o que parecia ser
uma palavra terrível - "alcoólico".
Uma vez em AA, os recém-chegados
podem achar graça ao facto de, no passado, se terem preocupado com o facto de se
vir a saber que tinham parado de beber. Quando os alcoólicos bebem, a notícia
das suas escapadelas espalha-se com uma velocidade notável. A maior parte dos
alcoólicos já tem fama de bêbedo de primeira quando procura AA. Com raras
excepções, a sua maneira de beber não é, provavelmente, segredo para ninguém.
Nestas circunstâncias, seria de facto invulgar se as boas notícias da sobriedade
continuada do alcoólico não provocassem também comentários.
Sejam quais forem as
circunstâncias, ninguém, a não ser o próprio recém-chegado, pode divulgar a sua
ligação com AA e, mesmo assim, só de modo a não prejudicar a Comunidade.
Se eu não beber, como poderei
sair-me bem nos negócios, onde tenho que fazer muitos contactos sociais?
Nos dias de hoje, beber socialmente tornou-se uma parte
integrante dos negócios em muitas áreas. Muitos dos contactos com clientes e
possíveis clientes são combinados de modo a fazê-los coincidir com ocasiões em
que os "cocktails", bebidas ou aperitivos parecem fazer parte integrante do dia
ou noite. Muitos dos que são hoje membros de AA seriam os primeiros a admitir
que frequentemente fizeram negócios importantes em bares, quartos de hotel e
mesmo durante festas em casas particulares.
No entanto, é surpreendente a
quantidade de trabalho que é feito no mundo inteiro sem a ajuda do álcool.
Assim como é também surpreendente para muitos alcoólicos descobrir como
conhecidos homens de negócios, da indústria, das artes e outros profissionais
tiveram êxito sem dependerem do álcool. Na realidade, muitos dos que estão hoje
sóbrios em AA admitem que usaram os "contactos de negócios" como uma das várias
desculpas para beber. Agora que já não bebem, descobrem que, na realidade,
conseguem fazer mais do que faziam antes. A sobriedade tem provado não ser um
impedimento à sua capacidade para fazer amigos e influenciar pessoas que
poderiam contribuir para o seu êxito económico.
Isto não quer dizer que todos os
membros de AA tenham passado subitamente a evitar os seus amigos ou companheiros
de negócios que bebem. Se um amigo quer tomar um "cocktail" ou dois antes de
almoço, o membro de AA toma geralmente um refrigerante, um café ou um sumo. Se
for convidado para um "cocktail" por motivo de negócios, geralmente ele não
hesita em ir. O alcoólico sabe, por experiência própria, que os outros
convidados estão mais interessados nas suas próprias bebidas do que nas dos
outros.
À medida que começa a sentir-se
orgulhoso da qualidade e quantidade do seu trabalho, o recém-chegado a AA
descobrirá provavelmente que o êxito nos negócios ainda se baseia na
eficiência. Esta verdade simples não era tão óbvia na época em que bebia.
Naquela época estava certamente convencido de que a simpatia, a genialidade e a
sociabilidade eram as chaves do êxito nos negócios. Na verdade, embora estas
qualidades sejam úteis para a pessoa que bebe controladamente, elas não chegam
para o alcoólico pois este, quando bebe, tem tendência a dar-lhes muito mais
importância do que elas merecem.
Será que AA funciona para a pessoa que tenha realmente
chegado ao "fundo do poço"?
A experiência mostra
que AA funciona para quase todos os que querem verdadeiramente parar de beber,
seja qual for a sua situação económica ou social. AA tem hoje muitos membros
que estiveram na valeta, em cadeias ou outras instituições públicas. Uma pessoa
fracassada não pode sentir-se inferiorizada ao entrar para AA. O seu problema
fundamental, o que tornou a sua vida ingovernável, é idêntico ao problema
central de todos os outros membros de AA Não se julga o valor de um membro de
AA pela roupa que usa, pela sua maneira de falar ou pela sua conta bancária. A
única coisa que conta em AA é se o recém-chegado quer parar de beber. Se quer,
será bem-vindo. É muito possível que ele fique espantado ao descobrir como
tantos outros membros conseguem contar histórias muito piores quando se trata de
revelar passados e experiências semelhantes aos seus.
HAVERÁ ALCOÓLICOS que entram em AA JÁ
SÓBRIOS?
A maioria dos homens e mulheres procuram AA
quando atingem o ponto mais baixo nos seus percursos de bebedores. Contudo, nem
sempre é este o caso. Muitas pessoas entraram na Comunidade muito depois de
terem tomado o que esperavam ser o seu último copo. Uma delas, ao reconhecer
que não conseguia controlar o álcool, tinha estado sem beber durante seis ou
sete anos, antes de se tornar membro de AA. Porém, a sua sobriedade forçada não
tinha sido uma experiência feliz. A crescente tensão e os vários transtornos
causados pelos pequenos problemas do dia-a-dia estavam a ponto de levá-la a
novas experiências com o álcool, quando um amigo lhe sugeriu que procurasse
AA. Desde então e já há alguns anos é membro de AA, e afirma que não há
comparação possível entre a sobriedade feliz que tem hoje e a abstinência
desconsolada que tinha antigamente.
Outros
contam experiências semelhantes. Embora saibam que é possível permanecer-se
tristemente abstinente por períodos de tempo consideráveis, dizem que, para
eles, é muito mais fácil apreciar e fortalecer a sua sobriedade quando se reúnem
e trabalham com outros alcoólicos em AA. Como a maioria da raça humana, não
vêem vantagem nenhuma em fazer as coisas da maneira mais difícil. Sendo-lhes
possível escolher a sobriedade com ou sem AA, escolhem deliberadamente AA.
Porque é que AA se interessa por
bebedores-problema?
Os membros de AA têm um interesse pessoal em oferecer ajuda a outros alcoólicos
que ainda não alcançaram a sobriedade. Em primeiro lugar sabem por experiência
própria que este tipo de actividade, à qual costumam chamar de trabalho do
"Décimo Segundo Passo", os ajuda a manterem-se sóbrios. As suas vidas têm agora
um grande e premente objectivo. É provável que as lembranças das suas próprias
experiências anteriores com o álcool os ajudem a evitar o excesso de confiança
que poderia levá-los a uma recaída. Seja qual for a explicação, os membros de AA
que se dispõem a ajudar outros alcoólicos raramente têm dificuldade em manter a
sua própria sobriedade.
A segunda razão pela qual os membros de AA sentem uma grande necessidade de
ajudar os bebedores-problema é que, desta forma, têm a oportunidade de retribuir
aos que os ajudaram em AA. É a única maneira prática que o indivíduo tem de
poder pagar a sua dívida para com AA. O membro de AA sabe que a sobriedade não
se compra e que não se pode partir do princípio de que ela se irá manter por
muitos anos. Contudo, ele sabe que pode ter uma nova maneira de viver sem o
álcool, se honestamente o desejar e se estiver disposto a partilhá-la com os que
vierem a seguir. Tradicionalmente, AA nunca "recruta" membros, não tenta
convencer ninguém a tornar-se membro e nunca solicita nem aceita fundos.
A Comunidade de AA
Se o recém-chegado estiver convencido que é alcoólico
e que AA poderá ajudá-lo, faz geralmente uma série de perguntas específicas
sobre a natureza, a estrutura e a história do movimento em si. Eis algumas das
mais comuns.
O que
SÃO OS Alcoólicos Anónimos?
Há duas maneiras práticas de descrever AA. A primeira é a descrição comum dos
seus propósitos e objectivos que aparece no início deste folheto:
Alcoólicos Anónimos é uma
comunidade de homens e mulheres que partilham entre si a sua experiência, força
e esperança para resolverem o seu problema comum e ajudarem outros a se
recuperarem do alcoolismo. O único requisito para ser membro é o desejo de
parar de beber. Para ser membro de AA não é necessário pagar taxas de admissão
nem quotas. Somos auto-suficientes pelas nossas próprias contribuições. AA não
está ligado a nenhuma seita, religião, instituição política ou organização, não
se envolve em qualquer controvérsia, não subscreve nem combate quaisquer
causas. O nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e ajudar outros
alcoólicos a alcançar a sobriedade.
O "problema comum" é o
alcoolismo. Os homens e mulheres que se consideram membros de AA são e serão
sempre alcoólicos, embora possam ter outras adicções. Reconheceram finalmente
que já não são capazes de controlar qualquer tipo de bebida alcoólica. Hoje
mantêm-se completamente afastados da bebida. O mais importante é que não tentam
enfrentar o problema sozinhos. Discutem-no abertamente com outros alcoólicos.
Esta partilha de "experiência, força e esperança" parece ser o elemento chave
que torna possível viverem sem álcool e até, na maioria dos casos, sem vontade
de beber.
A segunda maneira de descrever
Alcoólicos Anónimos é delinear a estrutura da Comunidade. Numericamente, AA
compõe-se de mais de 2.000.000 de homens e mulheres em 150 países. Estes
homens e mulheres reúnem-se em grupos que variam em tamanho, desde uma meia
dúzia de ex-bebedores em algumas localidades, até várias centenas em comunidades
maiores.
Nas áreas metropolitanas
populosas podem existir numerosos grupos, cada um com as suas próprias reuniões
regulares. Muitas reuniões de AA são abertas ao público. A maior parte dos
grupos têm "reuniões fechadas", nas quais os membros se sentem encorajados a
discutir problemas que poderiam não ser inteiramente compreendidos por
não-alcoólicos.
O grupo é considerado o núcleo da
Comunidade AA As suas reuniões abertas recebem alcoólicos e os seus familiares
num ambiente de amizade e ajuda mútua. Hoje existem mais de 93.000 grupos pelo
mundo inteiro, incluindo algumas centenas em hospitais, prisões e outras
instituições.
Alcoólicos Anónimos nasceu em
Akron, em 1935, quando um homem de negócios de Nova Iorque, sóbrio pela primeira
vez em anos, visitou um outro alcoólico. Durante os seus poucos meses de
sobriedade, este homem de Nova Iorque tinha notado que o seu desejo de beber
diminuía quando tentava ajudar outros “bêbedos” a alcançar a sobriedade. Em
Akron foi conduzido a um médico local que tinha problemas com a bebida.
Trabalhando juntos, o homem de negócios e o médico descobriram que a sua
capacidade de permanecerem sóbrios parecia estar muito relacionada com o grau
de ajuda e encorajamento que conseguiam dar a outros alcoólicos.
Durante quatro anos o novo
movimento, sem nome, sem qualquer organização ou literatura descritiva, cresceu
lentamente. Formaram-se grupos em Akron, Nova Iorque, Cleveland e nalguns
outros locais.
Em 1939, com a publicação do
livro Alcoólicos Anónimos do qual a Comunidade tirou o seu nome, e como
resultado da ajuda de vários amigos não-alcoólicos, a Comunidade começou a
atrair a atenção nacional e internacional. Abriu-se então um escritório de
serviços na cidade de Nova Iorque, para responder aos milhares de perguntas e
pedidos de literatura que são recebidos todos os anos.
SERÁ QUE EXISTEM REGRAS EM AA?
A ausência de regras, regulamentos ou obrigações é um dos aspectos únicos de AA,
como grupo local e como comunidade mundial. Não existem regulamentos que digam
que um membro precisa de assistir a um certo número de reuniões num determinado
período de tempo.
É compreensível que a maioria dos
grupos tenha uma tradição não escrita de que aquele que ainda bebe e perturba as
reuniões com o seu comportamento barulhento poderá ser convidado a sair da
sala. Esta mesma pessoa será bem vinda noutro dia qualquer, desde que não
prejudique a reunião. Entretanto, os membros do grupo farão o possível para
ajudá-lo a alcançar a sobriedade, desde que ele ou ela tenha o desejo sincero
de parar de beber.
QUANTO É QUE SE PAGA PARA SER MEMBRO DE AA?
Não existem
quaisquer obrigações financeiras para se ser membro de AA. O programa de
recuperação do alcoolismo de AA está disponível para qualquer um que deseje
parar de beber, quer esteja arruinado ou seja milionário.
A maioria dos grupos faz uma
colecta nas reuniões, para custear o aluguer da sala de reuniões e pagar outras
despesas tais como o café, sanduíches, bolos ou qualquer outra coisa. Na maior
parte dos grupos, parte do dinheiro da colecta destina-se à contribuição
voluntária para os serviços nacionais e internacionais de AA. Estes fundos são
utilizados exclusivamente para ajudar grupos novos e antigos e para levar a
mensagem do programa de recuperação de AA aos "muitos alcoólicos que ainda o não
conhecem".
A ideia fundamental é que para
ser membro de AA não é preciso apoiar financeiramente a Comunidade. De facto,
muitos grupos de AA estabeleceram limitações rigorosas aos montantes de
contribuições dos seus membros. AA é inteiramente auto-suficiente e não aceita
contribuições de fora.
QUEM É QUE DIRIGE O AA?
AA não tem
empregados ou executivos com poderes ou autoridade sobre a Comunidade. Não
existe "governo" em AA. Contudo, é evidente que, mesmo numa organização
informal, certas actividades têm de ser desempenhadas. No grupo local, por
exemplo, alguém tem de arranjar uma sala adequada para reuniões, e as reuniões
precisam de ser programadas e preparadas. É necessário providenciar o
abastecimento de café e bolachas que tanto contribuem para o ambiente de
camaradagem nas reuniões de AA. Em muitos grupos acham também conveniente que
alguém se responsabilize pela correspondência de AA, a nível nacional e
internacional.
Quando se abre um grupo, alguns
voluntários podem assumir essas responsabilidades, agindo informalmente como
servidores do grupo. Contudo, assim que possível, estas responsabilidades são
transferidas rotativamente por meio de eleições para outros membros do grupo,
que servem por períodos de tempo limitados. Um grupo típico de AA tem
geralmente um coordenador, um secretário, uma comissão de programação de
reuniões, um responsável pelo serviço de café, um tesoureiro e um Representante
de Serviços Gerais, o qual representa o grupo em reuniões regionais ou locais.
Os recém-chegados que tenham já um certo tempo de sobriedade são encorajados a
prestar serviço no grupo. A nível nacional e internacional existem também
tarefas específicas a serem desempenhadas. É necessário escrever, imprimir e
distribuir literatura aos grupos ou pessoas que a pedem. É também necessário
responder às perguntas feitas por grupos novos ou grupos já formados e
responder aos pedidos de informação sobre AA e o seu programa de recuperação do
alcoolismo.
Há que procurar informar e dar esclarecimentos a médicos, membros do clero,
homens de negócios e directores de instituições, assim como criar e manter boas
relações públicas com a imprensa, rádio, televisão, cinema e outros meios de
comunicação. Para garantir o crescimento seguro e saudável de AA, os primeiros
membros da comunidade, juntamente com amigos não alcoólicos, constituíram um
Conselho de Custódios, hoje conhecido como Conselho de Serviços Gerais de
Alcoólicos Anónimos. O Conselho serve de guardião das tradições de AA e de tudo
o que diga respeito a AA e responsabiliza-se pela qualidade de serviços
prestados pelo Escritório de Serviços Gerais de AA em Nova Iorque.
O elo de ligação entre o Conselho
e os Grupos de AA dos Estados Unidos (da América) e do Canadá é a Conferência
de Serviços Gerais de AA. A Conferência, composta por cerca de 91 delegados de
zona de AA, de 21 Custódios no Conselho, membros pertencentes ao Escritório de
Serviços Gerais e outros, reúne todos os anos durante alguns dias. A
Conferência é um órgão exclusivamente consultivo. Não tem qualquer autoridade
para regular ou governar a Comunidade. Assim, a resposta à pergunta "Quem
dirige AA?" é que a Comunidade é um movimento invulgarmente democrático, sem
autoridade central e só com um mínimo de organização formal.
SERÁ QUE
AA É UMA COMUNIDADE RELIGIOSA?
Não, AA não é uma
comunidade religiosa, na medida em que não é preciso ter nenhum credo religioso
definido para se ser membro. Muito embora tenha sido apoiada e aprovada por
muitos chefes religiosos, não está ligada a nenhuma organização ou seita. Entre
os seus membros há católicos, protestantes, judeus, membros de outras grandes
comunidades religiosas, agnósticos e ateus.
O programa de AA para a recuperação do alcoolismo está
inegavelmente baseado na aceitação de certos princípios espirituais. Cada membro
tem a liberdade de os interpretar conforme ele ou ela entender ou, pura e
simplesmente, nem sequer se preocupar com eles.
A maior parte dos membros, antes de recorrer a AA, já tinha
admitido que não conseguia controlar a sua maneira de beber. O álcool tinha-se
transformado num poder superior a eles próprios e aceite como tal. AA sugere
que para alcançar e manter a sobriedade, os alcoólicos precisam de aceitar e
depender de um outro Poder que reconheçam como sendo superior a eles próprios.
Alguns alcoólicos preferem considerar o seu grupo como esse poder superior.
Para muitos outros, este poder é Deus - como cada um O concebe. Outros ainda,
acreditam em conceitos completamente diferentes de um Poder Superior.
Quando recorrem a AA, alguns alcoólicos mostram inicialmente
muitas reservas quanto a aceitar qualquer concepção de um Poder superior a eles
próprios. A experiência mostra que, se mantiverem a mente aberta a esse
respeito e continuarem a assistir a reuniões de AA, provavelmente acabará por
não lhes ser muito difícil descobrir por si mesmos uma solução aceitável para
este problema, que é puramente pessoal.
SERÁ
QUE AA É UM MOVIMENTO A FAVOR DA TEMPERANÇA?
Não, o AA não está
relacionado com qualquer movimento a favor da temperança. A frase “AA não
subscreve nem combate quaisquer causas” copiada das linhas gerais amplamente
aceites do Preâmbulo da Comunidade também se aplica à questão dos assim
chamados movimentos a favor da temperança. O alcoólico que atingiu a sobriedade
e que tenta seguir o programa de recuperação de AA tem uma atitude para com o
álcool que pode ser semelhante à do doente alérgico para com a causa da sua
alergia.
Embora muitos AAs reconheçam que
o álcool não faz mal nenhum a muita gente, também sabem que para eles próprios é
um veneno. Normalmente um membro de AA não deseja privar ninguém de uma coisa
que, usada com cuidado, pode ser uma fonte de prazer. O membro de AA apenas
reconhece que ele/ela é que não é capaz de lidar com o álcool.
HÁ MUITAS MULHERES ALCOÓLICAS EM AA?
O número de mulheres que
procuram ajuda em AA para o seu problema de bebida, está a aumentar de dia para
dia. Cerca de um terço dos seus membros actuais é constituído por mulheres e
entre os recém-chegados a proporção está decididamente a aumentar. Tal como os
homens desta Comunidade, também elas representam todos os estratos sociais e
maneiras de beber.
O sentimento geral parece ser o
de que as mulheres alcoólicas enfrentam problemas especiais. Algumas mulheres
podem eventualmente sentir-se mais estigmatizadas pela sua maneira descontrolada
de beber, devido à tendência da sociedade em olhar o comportamento das mulheres
de forma diferente.
Em AA não se fazem distinções
deste tipo. Qualquer que seja a sua idade, estatuto social, condição financeira
ou educação, a mulher alcoólica, da mesma forma que o seu companheiro masculino,
pode encontrar compreensão e ajuda em AA Dentro do seu grupo local as mulheres
AA desempenham as mesmas funções que os homens.
HÁ MUITOS JOVENS EM AA?
Uma das tendências mais encorajadoras no crescimento de AA é o facto de que os
jovens de ambos os sexos estão cada vez mais a sentir-se atraídos pelo programa
antes que os seus problemas com a bebida se transformem num verdadeiro
desastre. Agora que se dá mais valor ao carácter progressivo da doença do
alcoolismo, esses jovens estão a reconhecer que, quando se é alcoólico, o melhor
momento para travar a doença é na sua fase inicial.
<
Nos primeiros tempos de AA
julgava-se, de uma forma geral, que os únicos candidatos lógicos a AA eram
homens e mulheres que já tinham perdido os seus empregos, caído na valeta e, ou
tinham destruído completamente as suas vidas familiares, ou se tinham
marginalizado da vida em sociedade há muito tempo.
Actualmente muitos dos jovens que
recorrem a AA andam na casa dos vinte. Alguns ainda nem lá chegaram. A maioria
deles ainda tem empregos e famílias. Muitos nunca estiveram presos nem
internados. Mas aperceberam-se dos sintomas ameaçadores, reconheceram que são
alcoólicos e não lhes faz sentido que o álcool os faça percorrer o seu
inevitável caminho de destruição.
A sua necessidade de recuperação
é tão premente quanto a de homens e mulheres mais velhos que não tiveram a
oportunidade de recorrer a AA na sua juventude. Uma vez em AA, jovens e velhos
raramente se dão conta da diferença de idades. Em AA, uns e outros começam uma
nova vida a partir do mesmo ponto: o último copo.
REUNIÕES DE GRUPO
O Grupo é o centro e o
coração da comunidade AA. É, de certa forma, um ponto de encontro único e que
pode parecer estranho ao recém-chegado. As perguntas e respostas que se seguem
mostram como funcionam as reuniões de AA e como o recém-chegado se enquadra no
Grupo.
COMO É
QUE ALGUÉM SE PODE TORNAR MEMBRO DE AA?
Ninguém se torna membro de
AA no
sentido vulgar da palavra.
Não se preenchem
quaisquer impressos de admissão. Na verdade, muitos Grupos nem sequer conservam
um registo dos seus membros. Não se pagam taxas de admissão, quotas nem
mensalidades de qualquer espécie.
Muitas pessoas tornam-se membros
de AA pelo simples facto de assistirem às reuniões de um determinado Grupo.
Podem ter sabido de AA por variadíssimas formas: podem ter entrado em contacto
com AA ao chegarem àquele ponto do seu percurso alcoólico em que desejaram parar
de beber; podem ter telefonado para o número indicado na lista telefónica; podem
ter escrito para a direcção postal do Escritório de Serviços Gerais.
Outros ainda podem ter sido
levados a um grupo de AA por um amigo, um familiar, um médico ou um conselheiro
espiritual.
Um recém-chegado a AA já teve
normalmente a oportunidade de falar com um ou mais membros antes de assistir à
sua primeira reunião, o que lhe permitiu aprender alguma coisa sobre a forma
como AA os tinha ajudado. O recém-chegado ouve falar sobre alcoolismo e AA, o
que o ajuda a decidir se está ou não preparado honestamente para desistir do
álcool. O único requisito para ser membro de AA é o desejo de parar de beber.
Em AA não se fazem campanhas para
aliciar membros. Se, após assistir a algumas reuniões, o recém-chegado decide
que AA não é para si, ninguém o irá pressionar para se manter na Comunidade.
Poderão dar-se sugestões para que ele ou ela mantenha o espírito aberto a este
respeito, mas ninguém em AA tentará forçá-lo a tomar uma decisão. Só o próprio
alcoólico poderá responder à pergunta: será que eu preciso de Alcoólicos
Anónimos?
O QUE É UMA REUNIÃO ABERTA?
Uma reunião aberta de AA é
uma reunião de um grupo à qual pode assistir qualquer membro da comunidade
local, quer seja alcoólico ou não. O único dever é o de não divulgar os nomes
dos membros AA depois da reunião.
A maior parte das reuniões
abertas tem geralmente um coordenador e outros oradores. O coordenador abre e
fecha a reunião e apresenta cada membro. Salvo raras excepções, os oradores
duma reunião aberta são membros AA. Um de cada vez, vão passando em revista
algumas experiências individuais que os levaram a entrar em AA. O coordenador
pode também expor a sua ideia pessoal sobre o programa de recuperação e sobre o
que a sobriedade veio a significar para si. Todos os pontos de vista expressos
são meramente pessoais, visto que cada membro de AA só fala em seu nome
pessoal.
Antes de se fechar uma reunião
deste tipo, há geralmente um intervalo para convívio social em que se serve
café, refrigerantes e bolos ou biscoitos.
O QUE É UMA REUNIÃO FECHADA?
Uma reunião fechada é
limitada aos membros de um grupo ou visitantes de outro. O propósito de uma
reunião fechada é dar aos membros de AA uma oportunidade para discutir
determinadas fases do seu percurso alcoólico que só podem ser entendidas
plenamente por outros alcoólicos.
Estas reuniões são geralmente
conduzidas com o menor formalismo possível e encoraja-se todos os membros a
participarem na discussão. As reuniões fechadas têm um significado muito
especial para o recém-chegado, visto que é aí que lhe dão oportunidade de
perguntar coisas que perturbam um principiante e o ajudam a beneficiar da
experiência de recuperação dos membros mais antigos.
PODEREI LEVAR FAMILIARES OU AMIGOS A UMA REUNIÃO DE AA?
Na maior parte dos sítios,
qualquer pessoa interessada em AA, quer seja ou não um dos seus membros, é bem
vinda a uma reunião aberta de um grupo AA. Sugere-se, especialmente aos
recém-chegados que levem as mulheres, os maridos ou amigos a essas reuniões, já
que a sua compreensão do programa de recuperação pode constituir uma ajuda
importante para o alcoólico alcançar e manter a sobriedade.
Muitos maridos e mulheres assistem às reuniões com a mesma frequência que os
seus cônjuges e tomam parte activa nas actividades sociais do grupo.
Deve voltar a lembrar-se que as
reuniões fechadas são só reservadas aos alcoólicos.
COM QUE FREQUÊNCIA DEVEM OS MEMBROS DE AA ASSISTIR A REUNIÕES?
Uma vez perguntaram a
Abraham Lincoln de que tamanho deveriam ser as pernas de um homem. A resposta
clássica foi: “do tamanho necessário para chegarem ao chão”.
Os membros de AA não são obrigados
a assistir a um número determinado de reuniões nem durante um certo tempo.
Trata-se pura e simplesmente de uma questão individual de gosto e necessidade.
A maior parte dos membros faz por assistir a, pelo menos, uma reunião por
semana. Sentem que é o suficiente para satisfazer a sua necessidade pessoal de
manterem o contacto com o programa através do grupo. Outros assistem a uma
reunião quase todos os dias, em sítios onde isso é possível. Há ainda outros
que conseguem passar períodos relativamente longos sem assistirem a reuniões.
A sugestão amigável “Continua a
vir às reuniões (ou como se diz em Portugal: “Volta, que isto resulta”) que os
recém chegados ouvem com tanta frequência, baseia-se na experiência da grande
maioria de membros de AA que acham que a qualidade da sua sobriedade se ressente
quando se afastam das reuniões por muito tempo. Muitos sabem, por experiência
própria, que se não forem às reuniões, podem voltar a beber - e que se
assistirem com frequência parece não haver grandes dificuldades em se manterem
sóbrios.
Os recém-chegados, em particular,
parecem beneficiar do facto de assistirem a muitas reuniões (ou manterem outros
contactos com AA) durante as suas primeiras semanas ou meses num grupo. Ao
multiplicarem as oportunidades de conhecer e ouvir outros AAs cujas experiências
com a bebida se assemelham às suas, parece que lhes é mais fácil fortalecer a
sua compreensão do programa e daquilo que este lhes pode oferecer.
Quase todos os alcoólicos
experimentaram, uma vez ou outra, ficar sóbrios por si próprios. Para a maior
parte deles, a experiência não foi nem particularmente agradável nem bem
sucedida. Se assistir às reuniões ajuda o alcoólico a manter a sobriedade e
simultaneamente a sentir-se feliz, então parece ser de bom senso deixar-se guiar
pela experiência daqueles que seguiram o “Volta, que isto resulta”.
OS MEMBROS DE AA TÊM DE ASSISTIR A REUNIÕES A VIDA INTEIRA?
Não necessariamente; mas,
como diz um dos nossos membros, “A grande maioria de nós quer assistir e muitos
de nós precisam de assistir”.
A maior parte dos alcoólicos não
gosta que os mandem fazer seja o que for e seja por quanto tempo for. À primeira
vista, a perspectiva de ter de assistir a reuniões de AA durante toda a vida
pode parecer um fardo muito pesado.
Mais uma vez, a resposta é que
ninguém é obrigado a fazer nada em AA Há sempre uma escolha entre fazer ou não
fazer uma determinada coisa - incluindo a escolha vital de procurar alcançar a
sobriedade através de AA.
A razão fundamental para que um
alcoólico assista a reuniões de um grupo de AA é a de ser ajudado a manter-se
sóbrio hoje - não é amanhã, nem para a semana, nem daqui a dez anos. O hoje, o
presente imediato, é o único período da vida que interessa a um membro de AA.
Ele não se preocupa com o amanhã ou com o resto da sua vida. O que para ele é
importante é manter-se sóbrio agora. Logo se preocupará com o futuro, quando
ele chegar.
Por isso, o membro de AA que quer
fazer tudo o que for possível para assegurar a sua sobriedade hoje, continuará
certamente a assistir às reuniões. Mas esse acto terá sempre como base a
preocupação pela sua sobriedade de agora. Enquanto se encarar AA desta forma,
nenhuma actividade, incluindo a de ir a reuniões, constituirá uma obrigação a
longo prazo.
COMO É QUE EU TEREI TEMPO PARA ASSISTIR A REUNIÕES DE AA,
TRABALHAR COM OUTROS ALCOÓLICOS E TER OUTRAS ACTIVIDADES EM AA?
Durante os nossos dias de
alcoolismo activo, a maior parte de nós conseguiu, de alguma forma, minimizar a
importância do tempo, quando se tratava de beber álcool. Por isso, o
recém-chegado fica frequentemente desiludido quando percebe que a sobriedade
também lhe fará algumas exigências em termos de tempo.
Se o principiante é um alcoólico
típico, sentirá a necessidade urgente de “recuperar o tempo perdido” -
trabalhar afanosamente no emprego, deleitar-se nos prazeres de uma vida em
família há muito posta de parte, dedicar tempo à igreja ou a actividades
cívicas. Para que é que serve a sobriedade, pergunta o novo membro, a não ser
para poder levar uma vida normal, plenamente saboreada a cada momento?
AA, contudo, não é uma coisa que
se possa tomar como se fosse um comprimido. Vale a pena ter em conta a
experiência daqueles que tiveram êxito neste programa de recuperação. Quase sem
excepção, os homens e as mulheres que alcançaram uma sobriedade mais
gratificante são aqueles que assistem a reuniões regularmente, não hesitam em
trabalhar com outros alcoólicos que procuram ajuda, e que se interessam
verdadeiramente por outras actividades do seu grupo. Trata-se de homens e
mulheres que recordam com realismo e honestidade as horas sem fim que passaram
em bares, os dias de trabalho perdidos, a eficácia decrescente e o remorso que
acompanhava as ressacas do dia seguinte.
Comparadas com recordações como
estas, as poucas horas passadas a melhorar e a reforçar a sua sobriedade acabam
por ter afinal um preço baixo.
PODERÃO OS RECÉM-CHEGADOS PERTENCER A GRUPOS AA FORA DA SUA ÁREA
DE RESIDÊNCIA?
Esta pergunta é feita
muitas vezes por pessoas que parecem ter uma razão perfeitamente válida para não
quererem arriscar-se a serem identificados como alcoólicos por um vizinho
qualquer. Podem ter, por exemplo, um patrão que desconheça totalmente o programa
de recuperação de AA e que seja potencialmente hostil para com quem admita ter
um problema com o álcool. Podem, no entanto, desejar desesperadamente juntar-se
a AA como uma forma de alcançar a sobriedade, mas podem hesitar em escolher um
grupo perto da sua área de residência.
A resposta a esta pergunta é que
uma pessoa é livre de escolher um grupo de AA onde muito bem quiser. Claro que
é muito mais conveniente escolher o grupo mais próximo, o que implica também uma
aproximação mais directa ao problema de cada um. A pessoa que recorre a AA é
normalmente, embora nem sempre, considerada como um bêbedo. As boas notícias
sobre a sua sobriedade também se espalharão inevitavelmente. Poucos patrões ou
vizinhos sentirão qualquer ressentimento para com a causa da sobriedade
continuada do seu trabalhador ou amigo, quer esta se tenha baseado num grupo
local de AA ou num que fique a 100 quilómetros.
Presentemente, muito poucas
pessoas são despedidas dos seus empregos ou marginalizadas socialmente por
estarem sóbrias. Se considerarmos que a experiência de muitos milhares de
membros de AA pode constituir um guia seguro, a melhor sugestão é que o
recém-chegado procure ajuda no grupo mais próximo, em vez de se preocupar com as
reacções dos outros.
SE EU ENTRAR EM AA NÃO IREI PERDER MUITOS AMIGOS E MUITAS
OPORTUNIDADES DE ME DIVERTIR?
A melhor resposta para isto
é a experiência de centenas de milhar de homens e mulheres que já estão em AA A
sua atitude é geralmente a de que não tinham amizades verdadeiras ou grandes
divertimentos antes de entrarem em AA O seu ponto de vista sobre ambos os
assuntos modificou-se.
Muitos alcoólicos descobrem que
os seus melhores amigos ficam encantados por os verem enfrentar o facto de que
não sabem controlar o álcool. Ninguém quer ver um amigo continuar a sofrer.
É evidentemente importante
distinguir entre os verdadeiros amigos e as pessoas que casualmente conhecemos
em bares. O alcoólico tem tendência para ter muitos “amigalhaços” de cujo
convívio poderá, a princípio, sentir a falta. Mas eles serão substituído pelas
centenas de AAs que o recém-chegado vai conhecer homens e mulheres que o aceitam
com compreensão e o ajudam a manter a sua sobriedade a todo o momento.
Poucos membros de AA trocarão a
alegria que vem da sobriedade por aquilo que parecia ser alegria enquanto
bebiam.
O PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO
Depois de assistir a
algumas reuniões, o recém-chegado já ouviu falar, com certeza, de coisas como
“Os Doze Passos”, “As Doze Tradições”, de “recaídas”, “O Livro Azul” e outros
termos característicos de AA Os parágrafos seguintes descrevem estes termos e
explicam a razão pela qual são tão frequentemente mencionados pelos membros de
AA
O QUE SÃO OS DOZE PASSOS?
Os “Doze Passos” são o núcleo do programa de recuperação individual de AA. Não
são teorias abstractas: baseiam-se na experiência dos primeiros membros de AA
que lá chegaram por tentativas, umas bem sucedidas e outras falhadas. Descrevem
a atitude e as actividades que esses primeiros membros acharam importantes para
alcançarem a sobriedade. Aceitar os “Doze Passos” não é, de forma nenhuma
obrigatório.
No entanto, a experiência sugere
que os membros que se esforçam honestamente por seguir estes Passos e por
aplicá-los na sua vida diária, vão muito mais longe em AA do que aqueles que
apenas os encaram com ligeireza. Tem-se dito que é impossível seguir à letra
todos os Passos dia a dia. Embora isto possa ser verdade, na medida em que os
Doze Passos reflectem uma aproximação à vida que é totalmente nova para a
maioria dos alcoólicos, muitos membros de AA sentem que os Passos são uma
necessidade prática para manterem a sua sobriedade.
Segue-se o texto de Os Doze Passos
que apareceram pela primeira vez no livro Alcoólicos Anónimos, o livro da
experiência AA:
-
Admitimos que éramos
impotentes perante o álcool - que as nossas vidas se tinham tornado
ingovernáveis.
-
Viemos a acreditar que um
Poder superior a nós mesmos nos poderia restituir a sanidade.
-
Decidimos
entregar a nossa vontade e a nossa vida aos cuidados de Deus, como O
concebíamos.
-
Fizemos,
sem medo, um minucioso inventário moral de nós mesmos.
-
Admitimos
perante Deus, perante nós próprios e perante outro ser humano a natureza
exacta dos nossos erros.
-
Dispusemo-nos inteiramente a
aceitar que Deus nos libertasse de todos estes defeitos de carácter.
-
Humildemente
Lhe pedimos que nos livrasse das nossas imperfeições.
-
Fizemos
uma lista de todas as pessoas a quem tínhamos causado danos e dispusemo-nos
a fazer reparações a todas elas.
-
Fizemos reparações directas a
tais pessoas sempre que possível, excepto quando fazê-lo implicasse
prejudicá-las ou a outras.
-
Continuámos a fazer o
inventário pessoal e quando estávamos errados admitíamo-lo imediatamente.
-
Procurámos através da oração e
da meditação melhorar o nosso contacto consciente com Deus, como O
concebíamos, pedindo apenas o conhecimento da Sua vontade em relação a nós e
a força para a realizar.
-
Tendo tido um despertar
espiritual como resultado destes passos, procurámos levar esta mensagem a
outros alcoólicos e praticar estes princípios em todos os aspectos da nossa
vida.
O QUE SÃO AS “DOZE TRADIÇÕES”?
As “Doze Tradições” de AA são princípios sugeridos como uma forma de assegurar a
sobrevivência e o crescimento dos milhares de grupos que constituem a
Comunidade. Baseiam-se na experiência dos próprios grupos durante os anos
críticos do início do movimento.
As Tradições são importantes tanto
para os membros mais antigos como para os recém-chegados, porque recordam os
verdadeiros fundamentos de AA como uma comunidade de homens e mulheres cujo
propósito primordial é manter a sua sobriedade e ajudar outros a alcançar a
sobriedade:
1. O nosso bem-estar comum deverá
estar em primeiro lugar; a recuperação pessoal depende da unidade de A.A.
2. Para o propósito do nosso grupo
existe apenas uma autoridade fundamental: um Deus de amor tal como Ele se
expressa na nossa consciência de grupo. Os nossos líderes são apenas
servidores de confiança; eles não governam.
3. O único requisito para ser
membro de A.A. é a vontade de parar de beber.
4. Cada grupo deverá ser autónomo,
excepto em assuntos que afectem outros grupos ou A.A. como um todo.
5. Cada grupo tem apenas um
propósito primordial - levar a sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
6. Um grupo de A.A. nunca deverá
endossar, financiar ou emprestar o nome de A.A. a nenhuma entidade parecida ou
empreendimento alheio, para evitar que problemas de dinheiro, propriedade e
prestígio nos afastem do nosso propósito primordial.
7. Todos os grupos de A.A. deverão
ser inteiramente auto-suficientes, recusando contribuições de fora.
8. Alcoólicos Anónimos jamais
deverá ter um carácter profissional, mas os nossos centros de serviço podem
empregar pessoal especializado.
9. Alcoólicos Anónimos, como tal,
nunca deverá organizar-se, mas podemos criar juntas ou comissões de serviço
directamente responsáveis perante aqueles que servem.
10. Alcoólicos Anónimos não emite
opinião sobre assuntos alheios à Comunidade; portanto o nome de A.A. nunca
deverá aparecer em controvérsias públicas.
11. A nossa política de relações
públicas baseia-se na atracção em vez da promoção; precisamos de manter sempre
o anonimato pessoal na imprensa, na rádio e no cinema.
12. O anonimato é o alicerce
espiritual de todas as nossas Tradições, lembrando-nos sempre de colocar os
princípios acima das personalidades.
O QUE SÃO RECAÍDAS?
Um homem ou uma mulher que tem conseguido manter-se sóbrio através do AA, por
vezes embebeda-se. Em AA, um retrocesso deste tipo é geralmente conhecido como
recaída. Isto pode acontecer durante as primeiras semanas ou meses de
sobriedade ou mesmo depois de o alcoólico se ter mantido abstinente durante
anos.
Quase todos os membros de AA que passaram por esta experiência,
afirmam que as recaídas podem ter origem em causas específicas. Esqueceram-se
deliberadamente que tinham admitido que eram alcoólicos e adquiriram uma
confiança exagerada nas suas capacidades de controlar o álcool. Afastaram-se das
reuniões de AA ou de contactos informais com outros membros de A.A, deixaram-se
envolver demasiadamente em assuntos de negócios ou de carácter social, ao ponto
de se esquecerem da importância de permanecerem sóbrios, ou então, permitiram-se
ficar cansados e foram apanhados sem defesas mentais e emocionais.
Por outras
palavras, a maioria das recaídas não acontece por
acaso.
O QUE É O PROGRAMA DAS “24 HORAS”?
O programa das 24 horas é uma frase utilizada para descrever a abordagem básica
de AA à questão de como de manter a sobriedade. Os membros de AA não juram que
nunca mais voltarão a beber para o resto da vida, assim como não se comprometem
a não beber amanhã. Ao recorrerem a AA e pedirem ajuda, já tinham
descoberto que, por mais sinceros que tivessem sido ao prometerem a si próprios
que iriam deixar o álcool no futuro, invariavelmente esqueciam-se dessas
promessas e embebedavam-se. A compulsão para beber mostrou ser mais poderosa do
que as suas melhores intenções de não beber.
O membro de AA reconhece que o seu
maior problema é manter-se sóbrio agora! As vinte e quatro horas do dia
constituem o único período de tempo em que ele poderá fazer alguma coisa no que
diz respeito à bebida. Ontem já passou, o amanhã nunca chega. “Mas hoje - diz o
membro de AA - hoje, eu não vou tomar o primeiro copo. Talvez seja tentado a
beber amanhã - e talvez beba mesmo. Mas amanhã é algo com que me vou preocupar
quando chegar. O meu grande problema é não beber nestas 24 horas”.
Para além do programa das 24
horas, AA sublinha a importância de três “slogans” que provavelmente o
recém-chegado já terá ouvido muitas vezes antes de se tornar membro de AA. Estes
slogans dizem: “Vá com calma, mas vá”, “Viva e deixe viver” e “Primeiro, o mais
importante”. Fazendo com que estes slogans se tornem uma parte integrante da
sua atitude perante os problemas do dia-a-dia, o membro de AA recebe uma grande
ajuda na sua tentativa de viver plenamente, sem álcool.
O
QUE É O AA GRAPEVINE?
O Grapevine
é uma edição mensal publicada para membros e amigos que procuram adquirir mais
conhecimentos sobre a experiência de AA. Trata-se da única publicação
internacional da Comunidade, editada em formato de bolso e em inglês, por uma
equipa constituída unicamente por membros de AA
Todos os meses se podem encontrar
exemplares avulsos desta revista nas reuniões de grupos, mas a maior parte dos
leitores prefere receber os seus exemplares por assinatura.
A publicação portuguesa de AA chama-se
Partilhar.
PORQUE SERÁ QUE AA PARECE NÃO FUNCIONAR PARA DETERMINADAS PESSOAS?
A resposta a esta pergunta é que
AA só funciona para aqueles que admitem ser alcoólicos, que querem honestamente
deixar de beber e que são capazes de manter estas duas realidades nas suas
mentes a todo o momento.
AA geralmente não resulta para o
homem ou para a mulher que tenha dúvidas sobre se é ou não alcoólico e que se
apegue à esperança de poder voltar a beber normalmente. A maioria das
autoridades médicas afirma que um alcoólico nunca mais pode voltar a beber
normalmente. O alcoólico tem de aceitar e admitir este facto fundamental. A
par desta admissão e aceitação tem de existir o desejo de deixar de beber.
Depois de estarem sóbrias por
algum tempo em AA, algumas pessoas têm a tendência para esquecer que são
alcoólicas, com tudo o que esse diagnóstico implica. A sua sobriedade torna-os
demasiado confiantes e decidem experimentar o álcool de novo. Para um alcoólico,
os resultados destas experiências são totalmente previsíveis. A sua maneira de
beber torna-se invariavelmente cada vez pior.
ALGUMAS PERGUNTAS FEITAS POR
RECÉM-CHEGADOS:
AA tem um único propósito primordial, embora possa ser indirectamente
responsável por outros benefícios. Os recém-chegados à Comunidade podem por
vezes fazer as seguintes perguntas.
SERÁ QUE AA ME IRÁ AJUDAR
FINANCEIRAMENTE?
Muitos alcoólicos, ao recorrerem
a AA para pedir ajuda para o seu problema com a bebida, já têm também muitos e
consideráveis problemas de natureza financeira. Não será de estranhar que alguns
acalentem a esperança de que AA os possa ajudar a resolver, de alguma maneira,
as suas obrigações financeiras mais prementes.
Logo no início da experiência de
AA como uma Comunidade, descobriu-se que o dinheiro - ou a falta dele - nada
tinha a ver com a capacidade de um recém-chegado ficar sóbrio e conseguir sair
dos muitos problemas que se foram agravando pelo uso excessivo do álcool.
A falta de dinheiro - mesmo com
uma pesada carga de dívidas - parecia não ser um obstáculo para o alcoólico,
sempre que este, honesta e sinceramente , quisesse encarar as realidades da vida
sem o álcool. Uma vez afastado o grande problema do álcool, os outros problemas,
incluindo os financeiros, pareciam também ter solução. Alguns membros de AA
conseguiram uma recuperação financeira sensacional em relativamente pouco tempo,
mas, para outros, o caminho tem sido duro e longo. A resposta básica a esta
pergunta é que AA existe com um único propósito e que esse propósito nada tem a
ver com a prosperidade material ou a falta dela.
Nada impede que um membro de um
grupo ofereça uma refeição a um recém-chegado, lhe compre um fato ou que até lhe
empreste dinheiro. Este é um assunto que depende do critério de cada um e da
sua discrição. Contudo, o alcoólico que fique com a sensação de que AA é uma
qualquer organização de caridade estará enganado.
SERÁ QUE AA
PODERÁ RESOLVER OS MEUS PROBLEMAS FAMILIARES?
O álcool é frequentemente um
factor de perturbação da vida familiar, na medida em que aumenta as pequenas
irritações, revela defeitos de carácter e contribui para problemas financeiros.
Muitos homens e mulheres, quando procuram AA pela primeira vez, já tinham
praticamente conseguido destruir a sua vida familiar.
Alguns recém-chegados a AA,
subitamente conscientes da sua própria responsabilidade pelo caos familiar,
mostram-se ansiosos e entusiasmados por fazerem reparações pelos danos causados
e reassumirem um modo de vida normal com aqueles que lhe estão mais próximos.
Outros, com ou sem razão, continuam a sentir ressentimentos profundos para com
os seus familiares.
Quase sem excepções, os
recém-chegados que são sinceros na sua abordagem ao programa de recuperação de
AA, são bem sucedidos na reconstrução das suas vidas familiares já
destroçadas. Os laços que voltam a unir o alcoólico honesto aos membros da sua
família são geralmente mais fortes do que eram antes. Claro que, por vezes, os
danos causados já são irreparáveis e terá de se descobrir uma aproximação à
vida familiar totalmente nova. No entanto e na generalidade dos casos, esta é
uma história com um final feliz.
A experiência tem mostrado que o
alcoólico que chega a AA com o único propósito de manter a paz na vida familiar
e não porque tenha o desejo honesto de deixar de beber, poderá ter dificuldades
em alcançar a sobriedade. O desejo sincero de alcançar a sobriedade deverá
estar em primeiro lugar. Uma vez sóbrio, o alcoólico descobrirá que muitos dos
seus outros problemas relacionados com a vida do dia a dia podem ser abordados
de uma maneira realista e com muito boas perspectivas de êxito.
SERÁ
QUE AA MANTÉM HOSPITAIS OU CASAS DE REPOUSO PARA ALCOÓLICOS?
Não existem “Hospitais ou casas
de repouso de AA”. Por tradição, AA nunca oferece nem patrocina serviços ou
instituições de carácter profissional. Mantendo-se fiel á tradição de procurar
não prestar serviços que outros podem fornecer , AA evita assim qualquer mal
entendido a respeito do seu propósito primordial, que é o de ajudar alcoólicos
na sua procura de um modo de vida sem álcool.
Nalgumas zonas há comissões de
serviço formadas por membros de AA que têm feito acordos com hospitais locais
para o internamento de alcoólicos que são apadrinhados por um membro de
Alcoólicos Anónimos em nome individual e não como representante da Comunidade no
seu todo.
Noutras zonas, alguns membros de
A.A. individualmente ou em grupo, criaram centros que se dedicam
fundamentalmente a proporcionar o seu programa de recuperação a
recém-chegados. Dada a sua compreensão especial para com os problemas que o
alcoólico enfrenta, os proprietários ou administradores destes centros são
geralmente capazes de ajudar o recém-chegado durante o período crucial do início
da abstinência. Mas estes centros, no entanto, nada têm a ver com AA, a não ser
pelo facto de poderem ser geridos por pessoas que alcançaram a sua própria
sobriedade através de AA. Como movimento, AA nunca se associa a qualquer
iniciativa empresarial.
SERÁ QUE AA PATROCINA ALGUMA ACTIVIDADE SOCIAL PARA OS SEUS MEMBROS?
A maioria dos membros de AA são
pessoas sociáveis, facto que poderá ter sido, em parte, um dos factores
determinantes de se terem tornado alcoólicos. É por isso que as reuniões dos
grupos locais de AA acabam por ser geralmente encontros animados.
Como Comunidade, AA nunca
desenvolveu um programa formal de actividades sociais para os seus membros, já
que o seu único propósito é o de ajudar os alcoólicos a alcançar a sobriedade.
Nalgumas áreas, membros de AA, exclusivamente por sua própria iniciativa e
responsabilidade, abriram clubes ou outros locais de lazer para os seus
companheiros de grupo. Estes clubes são, por tradição, independentes de AA e
geralmente tem-se muito cuidado em evitar qualquer identificação directa com a
Comunidade AA
Mesmo onde não existem clubes, é
vulgar que os grupos locais combinem jantares de aniversário, piquenique e
festas na passagem de ano ou noutras ocasiões especiais. Nalgumas cidades
grandes, os membros de AA encontram-se com regularidade para almoçar e
patrocinam encontros informais aos fins de semana.
O QUE PENSA A CLASSE MÉDICA DE AA?
Ver também “AA como um recurso para a classe
médica”
Desde o seu início, AA tem
usufruído da amizade e do apoio de médicos que conhecem o seu programa de
recuperação do alcoolismo. Os médicos, talvez melhor do que qualquer outro
grupo de pessoas, estão em posição de vantagem para reconhecerem a ineficácia de
outros tipos de aproximação ao problema do alcoolismo, no passado. AA nunca foi
apontado como a única resposta para o problema, só que o programa de recuperação
de AA tem funcionado com êxito tantas vezes, depois de outros métodos terem
falhado, que, hoje em dia, os médicos são frequentemente os maiores defensores
deste programa nas suas comunidades.
Um sinal da posição da classe
médica em relação a AA foi o da Associação Americana de Saúde Pública ter
sugerido e nomeado, em 1951, a Comunidade de AA, para receber o famoso Prémio
Lasker como “reconhecimento formal do êxito de AA no tratamento do alcoolismo
como uma doença e na eliminação do seu estigma social.”
AA é ainda recente - ou
desconhecido - em certas comunidades e nem todos os médicos estão a par do seu
programa de recuperação. Contudo, eis alguns excertos de comentários sobre AA,
feitos por reconhecidas autoridades médicas:
Em 1967 a Associação Médica
Americana afirmava que a adesão a Alcoólicos Anónimos ainda era o meio mais
eficaz de tratamento do alcoolismo e citava a Dra. Ruth Fox, uma eminente
autoridade em alcoolismo e, a esse tempo, Directora Clínica do Conselho Nacional
de Alcoolismo: “ com os seus milhares de grupos e os seus 300.000 alcoólicos
recuperados (agora são mais de 2.000.000), AA tem chegado sem dúvida a mais
doentes do que todos nós juntos. Para os doentes que possam e queiram
aceitá-lo, AA poderá ser a única forma de terapia necessária”.
“Tenho o maior respeito pelo
trabalho que vem sendo feito por AA, pelo seu espírito e pela sua filosofia
intrínseca de ajuda mútua. Nunca perco a oportunidade de afirmar o meu total
apoio, publicamente ou em privado, onde quer que seja preciso”.
Dr. Karl Menninger
Menninger Foundation
“Talvez o tratamento
mais eficaz na reabilitação do alcoólico seja uma filosofia de vida compatível
com o indivíduo e a sua família, uma fé absoluta em si próprio, que vem somente
depois de aprender a conhecer-se e uma ligação íntima a outros cujos
experiências são semelhantes às suas. A cooperação do médico com Alcoólicos
Anónimos é um dos meios de obter estes benefícios para o seu doente.”
Marvin A. Block
Membro da Comissão sobre Alcoolismo e Toxicodependência da Associação Médica
Americana
O QUE É QUE AS
AUTORIDADES RELIGIOSAS PENSAM DE AA?
Nenhum outro movimento laico dos
nossos dias, como AA, terá provavelmente recebido um tão grande apoio
incondicional do clero de todas as grandes religiões. Tal como os médicos, os
conselheiros espirituais da humanidade têm sido confrontados ao longo dos tempos
com o problema do alcoolismo. Muitos deles têm ouvido pessoas honestas fazerem
promessas sinceras de se absterem do álcool para quem ele se tinha tornado
incontrolável para afinal as verem quebrar essas promessas no espaço de horas,
dias ou semanas. A compreensão, a solidariedade e os apelos à consciência do
alcoólico não foram muito úteis para os clérigos que tentavam ajudá-los.
Por isso, talvez não seja de
estranhar que AA, embora ofereça uma maneira de viver, em vez de uma religião
formal, tenha sido tão carinhosamente abraçado por representantes de muitas e
diferentes confissões religiosas. Eis como algumas delas se referiram a AA no
passado:
The Directors Bulletin, um jornal
jesuíta publicado em St. Louis, Missouri (E.U.A.):
O Padre Dowling, membro da
equipa do periódico The Queen’s Work, teve a oportunidade excepcional de
estudar o movimento de Alcoólicos Anónimos.
Ele descobriu que a pedra base da terapia feita em AA inclui abnegação,
humildade, caridade, bom exemplo e oportunidades para um novo tipo de relação
social. Todos os credos estão representados neste movimento. Os leitores
podem ficar certos de que nenhum artigo ou livro a respeito deste movimento é
tão convincente como o contacto pessoal com um indivíduo ou grupo de
Alcoólicos Anónimos, cujas personalidades, lares e negócios caóticos se
transformaram em sólidas realizações.”
“The
Living Church” (Episcopal)
“Na base da técnica aplicada
por AA está o princípio, verdadeiramente cristão, de que um homem não poderá
ajudar-se a si próprio a não ser ajudando os outros. O programa de AA é
definido pelos próprios membros como um “seguro de vida”. Este “seguro”
resultou na recuperação da saúde física, mental e espiritual e no respeito por
si próprios de centenas de homens e mulheres que estariam irremediavelmente
perdidos sem a sua terapia ímpar e eficaz.”
QUEM É
RESPONSÁVEL PELA DIVULGAÇÃO DE AA?
A tradição de AA, em matéria de relações públicas, sempre preferiu a atracção à
promoção.
AA nunca procura publicidade,
embora coopere a 100% com representantes responsáveis da Imprensa, Rádio,
Televisão, Cinema e outros meios de comunicação que procuram obter informações
sobre o seu programa de recuperação.
A nível nacional e internacional,
são fornecidas notícias sobre AA pela Comissão de Informação Pública dos
Escritórios dos Serviços Gerais. Também têm sido criadas Comissões Locais com a
finalidade de fornecer aos meios de comunicação social determinados factos sobre
AA como um recurso para os alcoólicos nessas áreas.
AA está profundamente grato a
todos os seus amigos que têm sido responsáveis pelo reconhecimento dado a este
movimento. Está também profundamente consciente de que o anonimato dos seus
membros, de que fundamentalmente o programa tanto depende, tem sido fielmente
respeitado por todos os meios de comunicação.
Deverá salientar-se que dentro
de AA, nas suas reuniões ou mesmo entre eles, os membros de AA não são anónimos.
UMA NOVA FORMA DE VIDA
Na verdade, uma forma de vida não
se pode explicar: tem de ser vivida. Literatura descritiva baseada em
generalidades vagas e inspiradas tendem a deixar muitas perguntas sem resposta e
muitos leitores pouco convencidos de que encontraram aquilo que procuravam e de
que necessitavam. No outro extremo, um catálogo de mecanismos e detalhes sobre
um programa para viver, também só poderá dar uma visão parcial das virtudes de
um tal programa.
AA é um programa para uma nova
maneira de viver sem o álcool, um programa que está a funcionar com sucesso para
centenas de milhar de homens e mulheres que o procuram e que o aplicam com
honestidade e sinceridade. Está a resultar em todo o mundo e para homens e
mulheres de todas as fases e etapas da vida.
© 2003,
Associação de Serviços Gerais de Alcoólicos Anónimos de Portugal. Todos os
direitos reservados.
Copyright © 2003, Associação de Serviços Gerais de Alcoólicos Anónimos de
Portugal All rights reserved